domingo, 31 de julho de 2016

Significação

Só para passar em branco e esquecer.
Só para ter que voltar página para ler.
Só para interromper, escrever.
Só para passar lendo e entender.
Só para ter que continuar para aprender.
Só para decorar de tanto, reler.

Permanecer

No meio do todo o vazio e no tudo o universo.

terça-feira, 31 de maio de 2016

O duplo bêbado

     Nos melhores momentos da minha vida: eu estava bêbado. Eu deveria ter feito muitas outras coisas enquanto bêbado, sem dúvida! Quando as coisas do dia a dia que faço por não estar bêbado dão errado, é obvio que foi por eu não estar bêbado... E é claro que só estou criando esta reflexão reveladora por estar completamente bêbado, se não estivesse, na certa estaria vivendo completamente normal, mas fazendo merda. Existem dois eu: o melhor; este agora que sabe o que diz, que sabe lidar com as situações e aquele outro; o que vai para o trabalho de funcionário de baixo escalão, o guarda da geladeira, o guarda da escada, o guarda de nenhum lugar especial... Se eu fosse ao trabalho, eu dormiria o expediente todo... O outro é tão tolo que conta quantas pessoas passou por ele sem entrar pela porta que ele protege e guarda, quando passam pela porta ele memoriza os nomes de todos e depois anota em sua agenda todos os nomes... É ridículo! Eu queria era não ter que lembrar essas coisas; de saber o quanto imbecil meu outro é... Por isto, quando estou bêbado e me vêm essas memórias; necessito de mais bebidas. O outro acorda sem se lembrar da bebedeira e fica só com a ressaca e eu com meu álcool, seria justo não trazer os fatos sobre ele e o que mais me irrita; o fato que estamos vivendo assim há alguns meses. E mesmo de ressaca seguidas ele insiste em continuar indo ao trabalho, ficar em pé o tempo todo sorrindo quando sua cabeça quer explodir... Eu queria que minha cabeça explodisse agora de tanto rir da idiotice dele que fingi ser importante. Já vivemos tanto tempo sendo um só: o idiota. Porque ele ainda se prende nisto e não deixa eu viver o restante dos dias? O problema é que ele não tem as doces recordações do quanto é maravilhoso, especial viver em um estado de espirito superior, que nos traz revelações sobre o mundo em que vivemos e o mais importante; de como vivemos. O que me falta é controle, eu não existo quando ele está lá concentrando em não deixar ninguém entrar sem apresentar o cartão; seja de funcionário ou de visitante. Exato! Eu sou a parte inteligente, eu quem percebe o quanto ridículo é aquilo e por isto vou colocar Whisky Irlandês naquela sua garrafinha tosca de café... Tenho que continuar bebendo até pouco antes de irmos ao trabalho, pois eu sempre volto com tempo para dormir e é quando eu deixo o outro vir. Se eu me segurar hoje bebendo até o momento de fazer o café, o plano da certo e no banho deixo o outro vir para que pareça tudo normal e quando ele sorri posicionado em seu lugar após tomar sua primeira xícara de café, eu voltarei.

As dores em sonho

Nosso anti-herói passou o dia planejando fazer algo, cansado e confiante de que na manhã seguinte tudo irá correr conforme seu plano, deita-se para dormir, mas o inesperado acontece: O enfarto fulminante.


sábado, 30 de abril de 2016

Você tem experiência?

Estou toscando ao sol com o céu limpo de hoje, não quero ir embora.
Minha pele queima enquanto pescador e solitário.
Vou pescar muito hoje; vou pescar até sentir-me satisfeito.
É o sol e a confusão do rio... Uma calmaria confusa...
Minha cabeça sua e é como galhos descendo o rio;
De gota a gota, de peixe a peixe...
Minhas iscas vão para o anzol atraindo o peixe pelo odor de um paladar,
Mais um ao bote e mais tempo na calmaria ao sol.
O filé de carne seca esquenta no bote e minha sede só aumenta.   
Isto é o sol, isto é o rio, confuso...
Rede armada de árvore em árvore, cerveja gelada, gelada e gelada no isopor.
Minhas férias deste calor, sol, o homem ao sol.
Meu coração, meu bote, meu álcool; minha mente desce pelo rio.
Isto é o sol, isto é o rio, confuso...
Enrosquei a linha ou fisguei, isto é só... Confusão.
Ei mosquito vai embora, fora, vou pegar no cantil; é o peixe.

Palavras de um cafetão

Eu me casei com uma menina virgem em que nos beijamos pela primeira vez quando tínhamos quinze anos e não me importo que ela tenha se casado comigo por eu ser o melhor que tinha perto dela, o que realmente importa para mim é que eu sou e sempre serei o único que transa com ela.

Deixar-se levar pelo bilhar como numa dança sexual

     Sou aposentando e preciso de um empréstimo. Nesses 75 anos, essa foi a maneira mais fácil para conseguir dinheiro. É incrível... Eles me ligavam, batiam em minha porta e quando eu caminhava pelas ruas, eles faziam de tudo para que eu entrassem em seus escritórios e bancos... Eu ignorava, viva bem, gastando pouco comigo e muito com os vícios do jogo e dos perfumes em corpos femininos... Até que fiquei uma semana mal; meus ossos doíam, minha tosse aumentou e me faltava folego, ar e força... Fui ao médico. Não vou entrar em por menores, se estão lendo, aconteceu como o Doutor falou:  O senhor tem três meses de vida. Falou em familiares, amigos, conhecidos, entrar em contato e me preparar... Como se prepara para o ato final? Eu não sei! Mas... tinha que dar os últimos saltos ao mar azul, jogar no número 13 na cor preta, tinha que arriscar e sacanear... Fui em todos os escritórios e bancos gastando com o táxi e isto não me importava, podia gastar dinheiro a vontade e quando se tem, você vai onde quiser. Pensei que fosse até mais fácil falando que pegaria dinheiro por pegar, queria comprar umas coisas novas... Mas assim eles me ofereciam o pouco eu queria o mais, já tinha começado gastando e isto só aumentaria. Então resolvi mudar o discurso, dizia: vou dar um presente, uma moto para uma companheira não registrada e fazer uma viagem. O discurso não casou bem... Ofereciam-me tanto dinheiro e agora querem gastar todo o dinheiro por mim, comprar por eles mesmos tudo; minhas passagens, as diárias do hotel, a moto da acompanhante, mas cadê o dinheiro na conta do banco? É como trabalhar o mês e não poder contar nota por nota, coloca-las todas juntas presas por elásticos, agrupadas na carteira, amaçadas no bolso, ir ao banco e imprimir o extrato para não ver os números. Não era isto o que eu queria e por isto não desistiria, vai ver eu estivesse indo aos escritórios errados, bancos errados, então comecei procurar pelos certos, onde laranjas continuam fazendo empréstimo com falecidos aposentados, onde aposentados morrem sem ter para quem deixar sua aposentadoria e apenas o escritório recebe o valor do empréstimo... Afinal, quem se importa com o quanto de dinheiro um aposentando precisa para jogar no bicho e perder tudo ou simplesmente morrer com sua dívida se quem irá pagar por ela será o governo? Aposentado com o teto máximo, eu quero é mais porque logo tudo será menos. Então fui logo dizendo e assinando para quando fosse ao banco, estive lá os números desejados impressos e com ele toda minha liberdade de simplesmente fazer o que desse na telha de fazer.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Relato da claridade

Em noite sem lua pela alta madrugada um monstro vermelho surgiu no céu e devorou estrelas.

A lista no diário

     Sete horas da manhã de Sábado. Rodrigo desperta de um sonho, sua esposa continua dormindo. Ele levanta-se da cama e sai do quarto para não acordar sua esposa. Já na sala de jantar olha o caderno de seu filho sobre a mesa, na noite anterior o deixou para que no sábado listasse os itens da compra mensal da família. Sem ir ao banheiro, sem ter despertado totalmente para o dia, senta-se na cadeira junto à mesa e abre na última folha do caderno. Não irá listar os itens da compra, para isto é necessário que sua esposa esteja presente. Apenas começa a escrever sobre seu sonho, sem ter pensando sobre isto, apenas escreve na última folha do caderno como se fosse seu diário...
     Sonhei que conseguia passar no exame da ordem! Um sonho que significa uma vida toda em apenas segundos antes de acordar. Minha terceira vez tentando, ontem antes de dormir falei com a Fabi – Se eu não passar, acho melhor voltar a estudar para conseguir com a ajuda de algum curso preparatório – Mas não será fácil, afinal, minha rotina não está nada maleável! É interessante que antes de sonhar com consagração da ordem, venho sonhando com o caminho que eu fazia todos os dias quando estava na oitava serie e era o último ano para chegar ao primeiro ano do ensino médio, hoje seria o nono ano, mas isto não importa... Estava com o último ano pela frente antes de deixar de ser criança, porque na minha época; só deixaria de ser criança quem passasse para o primeiro ano do ensino médio, e foi um longo ano sonhando com o próximo ano pelo caminho: escola e casa.
     Após passar o ano todo sonhando com a adolescência declarada por todos, fui atravessando o corredor até as duas últimas salas no final do mesmo, enquanto caminhava pelo corredor despertava e acordava aos poucos passando em cada sala lateral; as quintas, as sextas, as sétimas e alguns conhecidos ainda na oitava. Despertei por completo olhando as duas salas. Procurei pelo meu nome no papel da porta na sala A e não encontrando fui na B. Poucos alunos se encontravam em suas carteiras e nenhum era colega do ano anterior. Depois que entrei na sala fui direto para a linha de fileira que sempre sentei em todos os anos na escola: a fileira de carteiras que fica na frente da mesa dos professores, onde conseguindo sentar ao lado da janela dos fundos; melhor ainda! Tudo ali era melhor: olhar para o movimentado corredor lateral, olhar para sala toda com um ótimo ângulo, poder colar (se for preciso) com mais facilidade. O lugar até então perfeito foi desfigurado com uma janela para o muro, os corredores que me acompanharam desde sempre, agora era um muro sem pintar e sem acesso pelos alunos, e não demorou muito para piorar; após o sino e a professora começar com sua apresentação e nós com a nossa, ela pediu para ligar o ventilador de teto da sala que girava em conjunto com ferro preso ao teto e as três pás, era assustador olhá-lo; parecia que a qualquer momento o ferro pregado ao teto não iria aguentar girar em conjunto com as pás e despregaria do teto girando e para isto acontecer – no meu pensamento – era questão de tempo! Impossível tirar a visão do ventilador, o que mais me assustava era que para os outros colegas e para a professora, tudo estava normal; o ventilador jamais iria sair girando e decepar algumas cabeças, mas no meu pensamento ele sairia girando e com certeza, algum dos quatros lados da sala seria atingido. Quando a luz das ideias me ligou, olhei a carteira embaixo do ventilador e por sorte ainda não tinha sentado ninguém... E agora? Levanto de uma só vez e sento ou espero pelo outro dia, outra professora entrar na sala ou essa professora parar de falar? Pânico total! Desejei levantar o mais rápido possível, mas fiquei com vergonha da professora falar alguma coisa, olhando para o ventilado, o medo só aumentava e eu sabia que tinha que fazer algo... Pensei em falar: Professora, esse ventilador irá matar alguém! Não é melhor desligar? Mas como adolescente decidir esperar... Planejei que não tiraria os olhos do Ventilador e quando ele se soltasse eu me jogaria ao chão e com sorte sobreviveria. Quando chegou minha vez na apresentação, não consegui manter a calma, falei para dentro e até gaguejei, mas ainda era um adolescente. No primeiro intervalo esperei todos saírem da sala, quando eles saíram peguei minha mochila e pulei em direção ao melhor lugar segundo minha análise, jogando minha mochila sobre a protetora carteira e sentei na cadeira. Não sai da sala e continuei sentado, agora mais relaxado até todos retornarem... Quando voltaram, um adolescente com fios de barba no rosto, transparecendo um repetente passou ao lado e jogou minha mochila ao chão. Segurando meu braço direito com suas duas mãos, aproximou-se e disse: Não quero um pirralho na minha frente. Meu medo já tinha passado e agora um segundo na mesma manhã com pouco tempo de diferença, era demais para mim! Levei com tudo e com meu impulso dei uma cabeça em seu peito, ele caiu de costas nas carteiras ao lado. Alguns colegas viram e se assustaram, igual ao adolescente caído sobre as carteiras. Ele se levantou rápido, mas excitou continuar com a briga. Dias depois conversando com meus novos colegas de sala, falaram sobre meus olhos vermelhos e meu rosto de raiva... Mas tudo o que eu senti depois que sentar naquele lugar era alívio e segurança...
     Após escrever está última frase, Rodrigo descansa suas costas na guarda da cadeira e sorrindo pensa o quanto enganado esteva e quanta sorte teve quando ainda naquela primeira semana de aula concertaram o ventilador que se caísse, cairia sobre sua cabeça.

terça-feira, 1 de março de 2016

Não deseje, exista!

O desejo molda como o seu existir faz você ser algo só pela vontade de se satisfazer; seja vazio de desejos e cheio de sua própria vida.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Era uma vez no olho do tigre

     Era uma manhã chuvosa de sábado. Acordei por volta das nove horas e chuva sempre é convidativa para se continuar dormindo, mas, neste dia eu tinha acordado com algo mais, alguma coisa dentro de mim não me deixava voltar a dormir. Continuar deitado era a melhor hipótese do que acordar para não ter nada o que fazer... continuei na cama e esse algo me incomodava, então busquei ficar olhando meu quarto, as roupas da noite anterior que tinha apenas colocado sobre a cadeira da mesa do computador, as portas marfim do guarda-roupa fechadas, o tapete persa no qual sempre me encorajou pôr os pés sem medo do piso gelado... Ficar olhando para meu quarto foi bom por um tempo, o sono não vinha, algo dentro de mim tinha despertado junto comigo, talvez por ter ido dormir cedo demais na sexta-feira coisa que geralmente não faço, mas minha ficante foi em uma festa na casa da irmã dela, coisa de família, ainda não é para nosso momento. Eu tinha tomado umas com alguns amigos depois de deixar o trabalho e após o jantar em casa, peguei no sono assistindo alguma coisa na Tv. Na cama pensando sobre coisas para fazer quando resolvesse sair da cama, lembrei que tinha livros do qual nunca tinha lido e estavam bem ali, dentro de uma das gavetas do guarda-roupa, quantos dos que estavam ali eu nunca tinha lido? Lembrei de dois; um presente do meu professor de literatura do ensino médio e um outro de poesia que tinha comprado na livraria só pelo título: A fera no espelho. Um nome intrigante, acho que o livro deve ter vendido muito com este título, mesmo que as pessoas que comprem nunca leem... tomei coragem levantei e caminhei em direção ao guarda-roupa, abrir suas duas portas de marfim, abrir a última gaveta e no meio de vários livros do meu curso de TADS¹ encontrei o presente do professor: O sofrimento do jovem Werther – Goethe.
     Voltei em direção a cama, separei as duas folhas da cortina, abrir a veneziana e deixei que o pouco de luz entrasse... A chuva continuava lá fora e de volta na cama passei a ler o livro. Não demorou muito até que minha mãe me convidava para o almoço. Almocei, conversamos com o som da TV ao fundo e continuei assistindo até o fim do jornal. De volta ao quarto passei boa parte da minha tarde lendo, tomei um xicara de café no meio do livro e não consegui desapegar mais continuando até o fim... Quando terminei senti o sono que esteve fora pela manhã voltar, ao som da chuva que continuava lá fora deitei e dormi. Eram vinte horas quando acordei com meu celular tocando, era ela. Conversamos e ela me convidou para ir em sua casa mais tarde naquela noite, seus amigos estariam com ela e comigo para passar o tempo. Levantei mais disposto, me sentia bem, mais calmo e feliz do que sempre é quando acordo. Tomei um banho, conversei com minha mãe que ficou um tanto surpresa por eu ter dormindo a tarde toda de sábado, não era do meu costume.
     Ás vinte e uma horas estava eu no portão da casa dela, não chovia por algumas horas e o tempo estava agradável, nos beijamos e entrei. Ela estava se produzindo entre o quarto e a sala onde eu estava assistindo Tv. Ela estava feliz e falava muito sobre tudo. Quando me dei por mim, despertado por algo interessante entre; chegando os amigos dela, fazendo amizades, sentamos todos na garagem em volta de uma mesa, abrindo cerveja, comendo petiscos, ouvindo um jovem tocar violão e a sua pergunta:  você não canta? Só sabe ouvir?  Sorri e disse que ele tinha uma voz bonita e com o coro feito pelas mulheres soava melhor, prazeroso. Elas sorriram e ele não disse mais nada, até então nem lembrava de termos trocados palavras... Estava uma noite agradável, enquanto ouvia aquelas músicas pensava que até três semanas atrás não conhecia ninguém ali e fora ela, estava conhecendo seus amigos naquela noite; as duas loiras, uma morena e o rapaz tocador. Uma de suas amigas, a Loira de cabelo comprido, estava com ela na noite em que nos conhecemos e ficamos. Era uma festa típica da cidade, música alta, sertaneja, muitas pessoas, sempre em rodinhas de amigos, eu estava meio bêbado, eram duas da manhã e não tinha conseguido nada com as moças que conheci no decorrer da festa. Deixei meus amigos e algumas moças amigas e outras não, para ir ao banheiro e quando retornava estava tocando aquela música do qual você chega em uma moça e a convida para dançar. A banda faz sua parte, você só precisa fazer a sua... Ela estava com essa amiga loira de cabelo comprido no canto do salão perto do bar, talvez estivessem esperando alguém trazer as bebidas ou elas estavam indo comprar bebidas, nunca perguntei sobre isto. Ela vestia um vestido azul curto sem mangas em corpo atraente, mas foi seu cabelo loiro curto que me interessou... Convidei para dançar, ela ficou enrolando, ficamos um tempo conversando e depois chegou alguns caras perto da amiga dela, mas, não nos importamos, eles pareciam fazer parte da noite dela, mas estávamos fluindo bem. As vezes ela era escorregadia, talvez pela idade, não que passasse sua idade de alguma forma, mas sabíamos que ela era uns anos mais velha. Naquela noite a banda e o DJ fez sua parte, como sempre faz e eu não perdi nenhuma das oportunidades até que dançamos e foi bom, dançar sempre é bom, eu sei, mas com ela foi diferente.
     De volta a garagem, o tocador foi ao banheiro e ela estava fumando, ainda não tinha visto ela com cigarro ou percebido de alguma forma que ela fumava, mas não me importei, fiquei um tempo olhando ela fumar, seu cabelo curto, seu sorriso e ás vezes em que a fumaça do seu cigarro tentava entrar em seu olho... A música agora era do aparelho de som e o rapaz que tocava nos divertia com piadas e todos conversávamos ao mesmo tempo, hora ou outra eu beijava ela, mesmo ela fumando muito e aparentando estar bêbada, pareceu-me mais sexy fumando e bêbada do que antes e de alguma forma olhar para ela, estar entre eles era bom. Assim como a cerveja não parava de chegar, as piadas pareciam prontas e sempre lembrávamos de mais uma não parando de sorrir e conversar. Acabei por aceitar que todos estávamos bêbados e talvez por isto uma piada ou uma conversa que até hoje não entendo, acabei por brigar com o rapaz do violão e tudo começou por causa de animais e homens.
– Somos todos animais, todos iguais, iguais aos cavalos, aos cachorros... – disse eu. E elas riram, mas ele ficou bravo:
– Como pode você dizer que somos iguais aos cavalos, isto é uma idiotice! – Riamos mais ainda, como ele poderia ter se zangado com isto? Não sei! E uma das loiras disse:
– Sabe... quando eu entrei pelo portão e vi você abraçado com minha amiga, eu vi uma luz em você. – Foi o fim! Falamos todos ao mesmo tempo:
– Luz?! – Riamos mais ainda!
– Como assim? – Disse eu. Ela sorriu, bebeu mais cerveja e disse:
– É! Uma luz... Acho que você tem algo especial, sabe especial... – Ao fazer aspas com os dedos foi mais hilário ainda. – Luz – Eu e as meninas dizíamos nos olhando. Mas ele, ele parecia não pertencer ao clube, comprou os ingressos para o circo para ficar jogando ovos no palhaço.
– Somos criados por Deus! Não somos iguais a nenhum animal! – Para mim ele tinha passado dos limites e eu quis romper também com os limites. Eu olhei bem nos olhos dele e disse:
– Eu sei que os outros animais não podem se reconhecer no espelho. Sei também que eles vivem sem perceber a passagem do tempo, vivem todos os dias como se não houvesse dias. Nós, humanos somos abstratos e eles todos concretos e nem sabem disso... O que é uma pena porque somos todos animais, todos iguais! Somos todos animaizinhos e só sinto por eles que não sabem que também são Deuses... – Por um momento todos param de rir. Eu era o único que sorria um sorriso talvez zombeteiro. Ele não gostou nada do que eu disse... Eu sabia que todos ali tinham suas crenças, todos com crucifixos de ouro em seus pescoços. O que eu disse mexeu com todos, mas com ele foi mais profundo. Levantando-se de sua cadeira após ouvir minhas palavras em som bêbado, disse gritando:
– Seu desgraçado... – Tentou acertar um soco se jogando por cima da mesa, com isto copos caíram derramando cerveja. Afastei-me para traz levantando também, ele já em pé pronto para continuar com sua irá, veio em minha direção. Ela que estava ao meu lado direito levou e colocou suas pequenas mãos brancas em seu peito tentando impedir de passar, eu não sei porque, mas no primeiro momento temi enfrenta-lo, talvez não fosse isto que eu queria com todas aquelas palavras saindo por sair. Elas levantaram assustadas e seguravam ele dizendo:
– Deixa disto! Ele só está brincando... – Mas seus gritos de ódio continuavam.
– Chega! É melhor ir embora... Deixa disto, para com isto, você não é assim. – Elas diziam. E naquele momento senti uma felicidade, não conseguia tirar o sorriso de meu rosto. Meu coração pulsava forte em meu peito ao olhar os grandes olhos dele de irá vermelhos sobre mim. Por um momento desejei que ele rompesse aquela barreira e começássemos a trocar socos, chutes, caíssemos no chão rolando e tentando acabar com o outro! Talvez meu sorriso zombeteiro continuava para que no fim brigássemos mesmo! Elas não deixavam ele passar, diziam para ele ir embora, que aquilo não era do seu feitio. Eu no meu canto continuava apenas olhando até que ela disse que ele era seu amigo e que ele não tinha que ir embora. Neste momento senti que se eu não fizesse alguma coisa, eu teria que ir embora... Então chamei ela, talvez fazendo ela pensar que eu iria embora. Enquanto suas amigas continuavam conversando com ele, ela veio até mim. – Olha – disse – ele é meu amigo, gosto muito dele e ele não vai embora.
     Neste momento segurei sua mão e sai puxando, passamos do outro lado da mesa, pelo canto oposto de onde ele permanecia seguro pelas meninas e caminhamos em direção aos fundos. Chegamos na porta da cozinha que estava aberta, entramos, passamos pelo corredor até a porta do seu quarto abrindo a porta, coloquei ela para dentro. Prevenido fechei a porta com a chave e passamos a nos beijar como se fosse o último beijo, depois de todo aquela euforia estar em seu quarto tirando sua roupa e beijando era como se a qualquer momento eu fosse deixar de existir. Fizemos Sexo... Deitados olhávamos para o teto. Meu coração tinha deixado de querer sair para fora, estava totalmente relaxado. Não sei quanto tempo já estávamos no quarto e ela disse:
– Vou sair... preciso fumar um cigarro! Se quiser continuar deitado, você quem sabe... – Ela levantou-se, ligou a luz e vestiu outra roupa de seu armário e depois saiu. Eu não levantei para trancar a porta e continuei por um pouco mais de tempo deitado olhando para o teto. Lá fora parecia tudo normal; a música continuava tocando e o som da conversa tímida ressurgia. Resolvi que era hora de dar as caras pensando que provavelmente ele tinha percebido como eu percebi que tudo não tinha passado de uma tolice. Quando cheguei na porta da sala e olhei para eles na garagem, pareciam menos a vontade que antes. Olhei para ela e quase pedi um cigarro ao vê-la com um cigarro entre os dedos e seu cabelo curto um pouco bagunçado. Fiquei na porta e ninguém olhou para mim, senti que realmente era hora de deixá-los. Pedi para que ela abrisse o portão, disse apenas: Boa Noite pessoal e sai... Na rua senti a que noite estava fria e que cainha uma neblina fina... Depois desde dia ficamos umas algumas semanas sem trocar mensagens ou ligações. Algum tempo depois encontrei com ela em uma balada, conversamos em um espaço privado onde ela pode fumar e no final da conversa concordamos sobre momentos e diversão.


¹ Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas.

Dicionário de rimas

Queria ser forte e me matar, porém, sou fraco e insisto em continuar...

Uma cápsula protetora

     Aventureiro e rico decidir abandonar este tempo do mundo enquanto ainda sou jovem e no futuro usufruir do novo mundo. Financiei a pesquisa final do Dr. Mood para ser congelado por anos em sono profundo do qual não permite sonhos. Minha cápsula é meu despertador; abro os olhos e respiro profundamente como após um longo mergulho. A consciência me volta como se apenas tivesse acabado de fechar os olhos para o congelamento de séculos. Olho ao redor procurando o Dr. Mood com uma pergunta em mente: O que deu errado? A anestesia fez efeito pois sei que dormi, porém, fui congelado na cápsula e agora desperto em outro tempo? Funcionou? ...Dr. Mood é o que esboço falar em uma tentativa frustrada com minha língua dormente e nada consigo pronunciar. Meu corpo pesa e não consigo me sustentar em pé, inclinando em direção ao chão eu sinto a falta dos meus movimentos nos braços e pernas, sem conseguir me controlar, vou ao chão e é como cair em tapete de veludo molhado pelo liquido que escorreu da cápsula, não sinto nada. É como cair da cama quando criança e ainda no chão sofrer da paralisia do sono. Faço um esforço enorme e como minhoca retorço meu pescoço... estirado ao chão olho para a grande parede de vidro em minha frente... Dr. Mood mudou a sala em poucas horas, imagino eu, ou meu congelamento realmente deu certo?! Estarei no futuro?! Esforçando-me para que meus comandos gerem movimentos básicos em meus dedos e mãos... – Dr. Mood!!! – Grito do chão. Minha boca voltou ao normal, consigo sentir meu rosto no chão frio e molhado. – Por que Dr. Mood não aparece? Por que ninguém aparece? Que droga! – Quando eu estiver de pé irei encara-los todos que estiverem me observando e vou gritar ainda mais alto: Desgraçados! Seus... Seus... Droga!