sexta-feira, 25 de setembro de 2015

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Núcleo de Apoio

     Sejam todos bem-vindos ao encontro semanal. É sempre bom quando recebemos um novo membro ao grupo, porque podemos todos juntos nos ajudar e conseguir vencer os desafios como uma família. É sempre bom dizer que é importante e muito, que todos continuem seus tratamentos. Muito bem... Hoje recebemos um novo membro no grupo. Por favor, se apresente à todos...
– Bom, é... Eu estou um pouco nervoso, eu sou um pouco tímido... – O novo membro se vê cercado pela grande roda de pessoas, todas sentadas em suas cadeiras em torno da orientadora do grupo. E com certeza a primeira vez no grupo não é fácil...
– Não precisa começar por você, mas é bom que antes que comecemos podemos conhecer o novo membro – Disse ela.
– Tudo bem... Bom, eu me chamo Roberto... – Todos dão boas vindas ao Roberto – Obrigado! Tenho 18 anos e estou passando por acompanhamento psicológico.
– Muito Bem... – Orientadora fala – Obrigado por fazer parte ao grupo, depois no final vou pegar com você sua ficha, tudo bem? ...Ok! Bom pessoal, como todos sabem esse grupo foi formando na minha pós-graduação e foi uma experiência muito boa e com apoio da Igreja que nos concede este salão ele se mantem. Ele foi criado para vocês e se mantem também por vocês! Então vamos começar os trabalhos? Alguém hoje gostaria de compartilhar com todos algo novo, alguma superação, a luta para continuar no caminho?
– Eu... – Levantou-se o Rafael. Eu não vou entrar em detalhes de como Rafael ou outro membro do grupo se veste, suas idades e sua maneira de viver o mundo. Vou apenas revelar que muitos deles são ainda jovens então, vamos apenas entende-los em suas caminhadas com apoio do grupo.
– Rafael... Pessoal, vamos ouvir o Rafael – Orientadora.
– Como eu me abri a três semanas passadas, eu sempre quis ser fotografo. Não fotografo de casamento, eu queria ser fotografo das coisas. Hoje não estou carregando minha câmera, isto é uma mudança incrível, eu só carrego meu HiPhone, mas não tenho mais aquele vício de todos os dias tirar fotos do céu, do por ou do nascer do sol, às vezes eu – como disse na minha primeira vez aqui – eu acordava as cinco, seis horas da manhã sem saber porque e era mais um despertar natural para correr atrás dos primeiros raios de sol, de vê-lo buscar fotografa-lo de lugares diferentes de casa, da rua, do carro, enfim, eu sempre fotografava tudo; de formiga carregando uma parte de algum outro inseto ou várias formigas carregando uma barata e agora ao falar dessas fotos é dizer que também não era só fotografar, eu tinha postar ele online para todos vissem minhas fotos. Uma das grandes mudanças depois que aceitar que eu tinha um problema foi desinstalar o aplicativo e deixar minha câmera digita em casa. Antes era tirar foto minha câmera e depois com o celular para postar... Era tantas fotos no decorrer do dia e da noite, algumas não faziam o menor sentido e aquelas legendas de “não filtro” e tantas outras besteiras... Bem pessoal, hoje eu estou bem melhor, diria normal. Talvez tenha até perdido uma grande foto esses dias, era junção muito boa com um idoso tomando sorvete e uma criança provavelmente seu neto pegando uma lata de cerveja no chão do parque, ela estava vazia... Acho que teria sido uma boa foto, mas se eu voltasse naquele momento, talvez eu continuasse sempre a voltar... Hoje com ajuda de vocês e do psicólogo eu estou bem! – Rafael senta e todos aplaudem.
– Obrigado por compartilhar sua evolução Rafael. Estamos todos torcendo pra você! – Orientadora.
– Obrigado – Responde Rafael.
– Mais alguém deseja compartilha suas conquistas hoje? É sempre muito importante relatar com o grupo qualquer mudança em seu processo, positiva ou negativa...
– Eu – Levanta um jovem.
– Qual seu nome mesmo? Você começou semana passada? – Orientadora.
– Sim! Meu nome é Guilherme.
– Muito bem Guilherme! Obrigado por compartilhar e pode começar... – Orientadora.
– Então... Essa foi minha primeira semana em que estou tentando diminuir, na verdade parar, porque só diminuir eu não vou conseguir. E ainda está muito difícil de conseguir me controlar e mesmo diminuir. Na primeira vez que estive aqui, enquanto ouvia as outras pessoas eu fiquei jogando pelo celular, hoje enquanto esperávamos para começar, eu pensei umas dez mil vezes em jogar. Porém me controlei. Estou me controlando cada vez mais... Tenho médico todos os dias e está sendo muito difícil pra mim – Guilherme está emocionado – Eu nunca antes passei tanto tempo sem jogar! Troquei de computador para perder todos os jogos que eu passava horas jogando e na verdade eu nem uso mais computador para me controlar. Quando eu entro no meu quarto, eu sinto um vazio! Durante todo tempo meu único desejo é de jogar. É uma necessidade maior que comer ou fazer qualquer outra coisa... E isto estava tirando todo meu tempo, eu não tinha tempo para as atividades da escola, para estudar na escola, para jantar ou almoçar com minha família, tudo se resumia em jogar e jogar! Agora eu falando essas coisas... Eu sei que não estou 100%, tenho ainda jogos no meu celular e às vezes eu entro no banheiro para fica jogando... – Guilherme passa a chorar e senta na cadeira com as mãos em seu rosto.
– Pessoal, vamos aplaudir Guilherme por ser honesto com ele mesmo. – Orientadora fala e todos aplaudem – Alguém pega uma água para o Guilherme, por favor... Guilherme... Levanta cabeça, você foi muito forte hoje e está sendo durante todos esses dias. Todos aqui sabem o quanto é difícil as primeiras semanas e o número de vezes em que pensamos em desistir. No final do encontro, vamos conversar em particular, tudo bem? – Guilherme concorda com sua cabeça.
– Bom pessoal, deixa ele se acalmar e enquanto ele se acalma alguém deseja compartilhar? Roberto, você deseja compartilhar sua experiência hoje no seu primeiro dia?
– Posso ser o ultimo? Se não se importarem... – Diz Roberto.
– Não tem problema Roberto... Pessoal, vamos dar confiança para o Roberto. Alguém deseja compartilhar com o grupo?
– Eu aqui...
– Lourival... Quem bom. Pessoal o Lourival é um dos primeiros que está junto ao grupo. Pode começar...
– Obrigado! Como a orientadora falou, eu sou um dos primeiros a fazer parte desse grupo, já estou a um bom tempo com todos aqui. Eu ainda não falei com nossa orientadora que essa é minha última semana. Estou com todos aqui aproximadamente por um ano e meio, foi muito difícil vir até aqui no início para buscar ajuda e superar minhas vontades, mas toda semana eu vinha e tentei ir me moldado. Na primeira vez que estive aqui foi um pouco confuso, porque as pessoas não entendiam bem meu problema. Lembro que no final eu saindo com meus pais um dos membros chegou a mim e disse que eu não tinha problema algum. De qualquer forma eu vou resumir para quem não conhece: Eu sou filho único de Pai engenheiro e Mãe Arquiteta. Quando surgiu meu problema, todos não entendiam e alguns diziam que não era um problema... Mas fomos atrás de ajuda e hoje entendo que eles só desejam meu bem. Eu desde criança sempre sonhei em ter uma banca de jornal, ser aquele que passa horas entre revistas e jornais. Não sabia por qual motivo, talvez por passar por eles pelo caminho da escola. Ás vezes eu comprava álbuns de figurinhas para ir à banca todos os dias e sentir aquele cheiro de livro novo. E isto foi despertando minha vontade de ser dono de uma banca daquelas e entre um cliente e outro ler uma revista, o jornal, um livro... Mas isto nunca foi possível. Quando chegou o momento que sai do ensino médio, fugi de casa. Minha família não entendia meu desejo e isto me fez sair de casa, meus pais não me davam o dinheiro para comprar o ponto e realizar meu desejo então fugi de casa e fui buscar um emprego. Peguei minhas coisas e no caminho para casa de um amigo comprei um jornal. Olhei os classificados e tinha uma vaga para porteiro. Era quase igual o que eu queria, só iria trocar clientes por moradores e revistas pela pequena TV. E ainda pensava na possibilidade de continuar lento em horário de trabalho. Peguei o circular e fui para entrevista de emprego, eu não tinha carteira de trabalho e menti sobre um monte de coisas e é claro sem experiência e com cara de menino não consegui o emprego. O que vou fazer para ser porteiro? Eu me perguntava. No meu pensamento lógico era mais fácil conseguir emprego de porteiro, guardaria o salário e talvez em três anos conseguisse comprar o ponto da banca de jornal. Durante uma semana fiquei passando por várias entrevistas de emprego e não conseguia nada e por fim minha família me encontrou na casa desse amigo e era obvio que a mãe dele iria achar estranho, eu uma semana inteira na casa deles. Triste por não conseguir emprego não tive escolha e voltei para casa dos meus pais. Passou alguns dias e fui levado ao médico. Com acompanhamento médico frequentei o encontro. Hoje estou deixando vocês, meu tratamento médico acabou mês passado e agora vou estudar para o vestibular de Biblioteconomia... Quero agradecer à orientadora e todos vocês! Muito Obrigado!
– Parabéns Lourival... Me pegou de surpresa! Palmas para o Lourival pessoal... – Orientadora fala – Obrigado pessoal! Bom, ainda temos tempo alguém deseja compartilha? Roberto? Sabemos que hoje é seu primeiro dia e o quanto difícil é o primeiro dia, mas vai fazer bem pra você começar compartilhando e assim vamos ajuda-lo melhor durante o tempo que estiver com o grupo... – Roberto fica em pé e confirma com a cabeça – Que bom! Palmas ao Roberto pessoal... Pode começar.
– É... Olá... Eu estou um pouco nervoso e acho que é muito difícil está aqui e realmente é... Então veja, eu não gostaria de está aqui... Bom... Mas preciso de ajuda. E o quanto é difícil assumir que preciso de ajuda... No meu problema eu estou tentando resolver sozinho, eu não quero buscar ajuda porque acredito que tenho o dom... Bom como vou dizer... Eu tenho um problema e acredito que ele se resolverá sozinho! É que meu dom ainda não se expressou, mas ele vai e ai não existirá mais nenhum problema para mim – Qual seu problema Roberto? –Pergunta à orientadora – Fale para todos, será bom pra você – Roberto olha nos olhos da orientadora e chega a dobrar as pernas para voltar a sentar. Vira seu rosto e olha a cadeira de ferro gelada esperando para ser sentada e assim acabar com tudo isto – Então... É difícil, mas eu tenho não tenho problema, quero que fique claro isto... Eu estou aqui porque eu preciso deixar sair meu dom, eu não preciso de ajuda para deixar sair meu dom... ­– E qual seu dom Roberto? – Pergunta à orientadora – Eu sou artista plástico, eu pinto quadros, eu faço algumas esculturas, mas meu dom que eu sei que tenho ainda não se manifestou, entendem? Eu faço minha arte mas ainda não vejo meu dom nelas, eu ainda não sinto meu dom se manifestando... O médico disse que era pra mim ir buscar ajudar em algum curso, aprender com um professor, agora pensei comigo: se eu for aprender com um professor ele pode moldar meu dom e o que eu iria fazer com meu dom, eu não vou mais conseguir fazer porque ele foi modulado, eu vou ficar com as técnicas do professor e meu dom? Eu não posso ir fazer isto, eu treino para meu dom se manifestar muitas vezes ao dia, eu estou sempre praticando e uma hora ele vai vir e vou fazer um grande quadro, uma belíssima escultura, vou ser reconhecido com minha arte vou ser artista plástico com meu dom!
– Desculpa te interromper – Disse um membro do grupo – mas como você sabe que tem algum dom?
– Eu sinto! Eu começo a pintar e sinto que minhas mãos estão trabalhando para algo, sabe? Eu olho os crochês da minha mãe e sei que está em meu sangue ser artista. – Roberto fica em silêncio por um tempo, depois olha sua volta e senta em sua cadeira gelada.
– Obrigado por compartilhar com o grupo Roberto! Espero que essa experiência ajude você á encontrar você mesmo. Bom pessoal... Vamos fazer uma pausa para o Coffee Break e depois retornaremos para minhas palavras finais, hoje vou ler uma carta apoio muito bacana... Fiquem para ouvir! Obrigado!

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Capitão e seu contador de estórias

        Não estou longe do mar... A taverna em que o Capitão tanto falou quando estávamos no mar, está uns cinquenta passos da costa ao norte. Enquanto caminho, sinto o vento frio e o mau cheiro que vem dos navios atracados no porto com o esgoto das ruelas onde tudo se mistura nesta parte da cidade. O Capitão não atracou nosso navio “Piece” no porto, nós atracamos as escondidas pelas curvas do mar e as ilhas. Chegamos nesta magnifica cidade em barco pequeno com alguns marujos e os outros marujos estão protegendo o “Piece” do Capitão. Minha primeira vez nesta inspiradora cidade e tenho ordens para descrevê-la toda ao Capitão. Ele já a conhece, meu trabalho aqui é de dias para escrever minhas estórias colocando cada parte da cidade e tenho ordens de escrever no mínimo três que se passa na Taverna da Berenice.
– Capitão – Grito depois de passar pela porta da taverna
– O que me trouxesses? – Diz ele sem me procurar. Sentado no canto da taverna distante da porta com duas raparigas em seu colo que lhe servem Rum em sua boca.
– Mais uma estória Capitão, não pediu estórias?! Fui procurar por elas Capitão! Vamos passar mais tempo aqui, chegamos ontem e eu já tenho duas estórias, olha que incrível...
– Que tipo de estória Marujo? Não me venha com qualquer uma!
– Capitão... Eu estive nas ruelas, nos becos, nós lugares feios, sujos e frios. Talvez tudo se repita quando estamos sempre nos mesmos senários...
– Não seja um vil como a maioria dos seus personagens marujo! Não me faça sentir descaso por suas estórias, entregue uma boa aventura Majuro...
– Aqui Capitão. – Sento perto do Capitão e suas fêmeas entregam o rolo com uma estória. – O Capitão tira suas fêmeas de seu colo e se concentra na leitura. Ora bebe um pouco de Rum, ora me olha e retorna sua leitura até que segura me braço com a mão esquerda e tira sua adaga com a mão direita e me olha nos olhos dizendo:
– Majuro... Essa está estória está igual à de ontem, você que ficar sem sua mão?
– Não Capitão! Deixe-me ver... – Já na primeira frase que li, notei que tinha cometido um erro entregando a estória de ontem ao Capitão.
– Perdoe-me Capitão aqui está à correta – Tirando do meu casaco outro rolo com a de hoje e antes que eu entregasse ao Capitão a porta da taverna se abre e seis soldados entram ficando em posição de tiro. Por eles passa outro que os representava, algum de batente maior e diz:
– Estamos aqui para prender o pirata Noah! Todos permaneçam em seus lugares... – Nisto o capitão pula sobre a mesa e saca sua pistola atirando na direção de quem fala e soltando um grito – Aos tubarões medíocres... – O capitão atinge em cheio o peito de quem anunciou sua prisão. Os outros seis soldados em posição de tiro disparam com seus mosquetes na direção do Capitão que pula sobre mais mesas e usa raparigas como escudo aos tiros. No meio do fogo cruzado todos procuram se salvar e eu como os demais também me esquivo para de baixo da mesa rápido, quando sinto uma fisgada na perna, como ao colocar a isca no anzol e acabar por perpetuar a mão. Após a primeira salva de tiros, o Capitão esta em cima dos barris de bebidas quebrando a janela com o cabo de sua espada. Ainda antes de saltar pela janela olha-me embaixo da mesa diz:
– Marujo... Se fatos sobre meu navio correr pela cidade, virei atrás de você antes que te enforquem para eu mesmo fazer você andar na prancha.
Após dizer, termina de pular a janela. Os soldados ficaram em dúvida em qual deles socorre seu superior e quem persegue o Capitão. Ouve uma pequena discussão para recarregava os mosquetes, alguns soldados não queriam perseguir o Capitão sem seus mosquetes, só de pistola e espada é pouco para os soldados que conhecem as histórias do Capitão. Por fim tinham que ser rápidos ou perderiam o Capitão de vista, então apenas três valentes soldados de espadas e pistolas foram atrás do Capitão. Um ainda correu em direção a janela que o Capitão acabara de soltar e atirando sem visão retornou aos outros dois que socorriam seu superior. Quando mais tropas chegaram na caverna lembraram-se do pobre contador de estórias em baixo da mesa e sangrando pela perna foi arrastado para prisão. Chegando na prisão ouviu que os três valentes soldados que correram atrás do Capitão foram todos mortos um a um em duelo com Noah. O Capitão está longe e todo homem que fica para trás é deixado para trás! Isto me passou pela cabeça, como o medo do que virá a seguir contra mim... Serei enforcado ou me torturarão até a morte para saber onde está o Navio do Capitão?

sábado, 25 de abril de 2015

Antes eu não te conhecia e agora meus olhos te veem

     No meio da agitação de pessoas, vejo-me cercado por quatro carrascos! Minutos atrás aconselhei aquele que discursa na multidão, incentivando-o em comandar aqueles que agora se preparam em lutar contra o absurdo. O cerco me faz afastar e por isto esbarro em um carrasco que me empurra em direção aos impiedosos e gritando: Código vermelho! Código Vermelho: vamos fazê-lo cair! Os cinco tiram seringas de suas cinturas. Na transparência das mesmas consigo ver o líquido vermelho. Preparam uma cilada e querem me derrubar, assustado não posso voltar mais atrás, sinto-me perseguido e encurralado... Quem são vocês? – Pergunto e eles continuam marchando em minha direção, seus rostos em expressão de ódio. Desesperado começo a me esquivar das tentativas de aplicação do líquido vermelho. Eles insistem em tentar me acertar, parecem se comunicar com os olhos, sinto que estão preparando uma emboscada e enquanto esses impiedosos me atacam, consigo ver um pequeno caminho livre à minha direita e corro. Corro como se não houvesse amanhã. O momento em que consigo perceber essa fragilidade e focar em minha fuga, em momento desesperador para não ser pego, continuo correndo, olho uma vez e outra para traz. Eles parecem divididos na perseguição e o caminho que tomei para minha fuga é confuso, me sinto em labirinto: no desconhecido. Serei pego? Penso. Seringas nas mãos, código vermelho, líquido vermelho, querem que eu caía, me desejam caído sobre o chão para passar sobre mim, querem me fazer de rua para continuar com seu absurdo. Correndo penso em me esconder para não ser pego e continuar. Me incentivo enquanto estou correndo para esquecer o cansaço, para não deixar o cansaço me dominar. Antes da curva mais um olhada para traz, respiro fundo, me distanciar e depois descansar, sair salvo. Porém ao voltar minha visão para frente, sinto uma pontada no peito. Olhando nos olhos do meu adversário que surgindo na curva do labirinto, no desconhecido caminho ele conseguiu efetivar sua cilada me atingiu. Meus últimos pensamentos: olhar para traz perante uma curva me custou ser pego. Onde tudo isto começou e onde acabou... Acuado me restou correr sem saber para onde ir, eu apenas não podia ficar parado sem reação perante o absurdo...

Corrupto complacente

Entre eles o não corrupto é trouxa e o não gentil é sem educação, ninguém gosta de pessoas sem educação!

Doce Balada

– Alice... Preciso falar com você. – Disse Alberto para Alice enquanto saem da sala de aula do curso de direito no intervalo das aulas na universidade. Mais à frente os outros três amigos que fazem parte do grupo mais sólido da sala. Eles estão sempre juntos dentro e fora da universidade. São conhecidos pelas festas que fazem na casa de um e de outro e, também pelas festas que frequentam. Alberto e Alice saem um pouco mais atrás dos outros amigos e pelo corredor Alberto conversa com Alice:
– Eu sei que prometemos nunca mais falar sobre isto. Mas é que hoje no metro eu encontrei com aquela menina da boate...
– Como assim Beto... Que menina? – Pergunta Alice.
– Aquela da boate... – Cara de interrogação de Alice – Do doce que...
– Porque está falando sobre isto Beto? – Interrompe Alice.
– Porque hoje eu a vi no metro, ela entrou sentou-se perto de mim. Eu me lembrei de tudo aquilo...
– Ela reconheceu você? – Alice para no meio do corredor e encara Alberto. Ele olha para o chão e responde:
– Não! Ela me olhou, mas acho que não me reconheceu...
– Acha Beto? Reconheceu ou não?
– Não! Imagina se ela reconhecesse, estaríamos mortos!
– Amanhã pega outro metro, sei lá... É a primeira vez que vê ela depois desses meses, talvez fosse só acaso mesmo...
– Eu me sinto mal pelo que fizemos Alice... – Alice olha de um lado para o outro do corredor e sai puxando Alberto até o final do corredor e entrando em um dos pátios abertos diz:
– Esquece isto! Ela não reconheceu você e nem vai reconhecer! Ficou anônimo aquilo!
– Será? Quando você encontrou com ela no banheiro, ela não ouviu seu nome, os nossos?
– Beto... Eu estava no celular falando com o traficante no banheiro. A gente tinha combinado de comprar e eu fui ligar para depois irmos buscar no ponto e ela ouviu a conversa, pediu pra ir junto, falou que queria experimentar, estava bêbada já e ninguém a convidou... Nem perguntamos o nome dela, lembra? Você perguntou quem era e eu falei que ela queria comprar e se comprássemos mais um, ganhávamos outro, era bom pra nós, depois ela tomou o dela no carro com a gente...
– E fizemos aquilo com ela... – Alberto interrompe.
– Vocês gostaram, vai me dizer que não? – Alice fala com um sorriso estranho.
– Alice... Aquilo foi errado! Aproveitamos dela por está fora de si... Não deveríamos ter feito aquilo, mas você deu a ideia e nos encorajou a fazer!
– Beto... Não coloca a culpa em mim, vocês transaram com a menina no seu carro. Vocês quatro fizeram isto! Vocês aproveitaram que ela não sabia nem onde estava... Estava totalmente pirada, fora de si e vocês aproveitaram...
– Sim Alice! E por isto me sinto mal... Não deveríamos ter feito aquilo, foi errado!
– Cara... Cai na real, ela não sabe nem o que aconteceu. Estava dobada, não teve reação enquanto vocês faziam com ela... Acho até que gostou, nem ligou... Sai dessa, não é porque ela te viu hoje que tudo vai acabar para nós... Foi uma noite, estávamos nos divertindo... Foi divertido, estamos em grupo, todos gostamos e talvez até ela gostou e se não gostou, não tem como falar nada, ela não sabe nossos nomes e vai ver nem nossos rostos e hoje se provou isto, ela viu você e não reconheceu, ficou na dela, esquece isto Beto!
– E se fosse com alguém que conhecemos Alice?
– Beto... Chega disso! Nem fala pros meninos sobre essa conversa, é besteira falar sobre isto! Ela nem reconheceu você... Já voltamos à boate e ela não estava... Vamos dar um tempo de voltar lá e esquece isto... Ela não existe pra nós!

Abundância para aquele que não tem

– Como é difícil encontrar você para conversar minha irmã... Quanto tempo, não?! – Disse assustando-a, passando do seu lado à sua frente com suas pernas cumpridas.
– Para algumas pessoas é difícil, porém converso com tantas, tenho tantos amigos... – Disse ela tirando-o da sua frente com suas grandes mãos em seu peito e ele ainda insiste em diálogo, porém agora conversando com suas costas:
– Você como me trata sempre. Éramos tão populares juntos na escola. Você mãozuda de uma letra linda que a professora cabeçuda ficava encantada... E eu, bem... Eu sempre fui pernudo, corria o recreio todo e ninguém me alcançava... Lembra quando representei o colégio?! Se não fosse eu, aquela escola nunca teria ganhado troféus! O diretor olhudo disse isto aos nossos pais certa vez... Mamãe braçuda e papai pézudo, como eles nos fizeram de tudo para continuarmos juntos e iguais.
– Nunca fomos iguais e eu ainda sou popular! Eu sempre fui à bonita, inteligente, engraçada e bem humorada da família... – Disse ela passando suas grandes mãos pelo cabelo, depois pelo rosto e por fim ajeitando seu broche.
– Agora você está parecendo o meu amigo bocudo, lembra-se dele? – Para pergunta passa à frente da irmã com suas longas pernas. Ela o olha e depois virando o rosto caminha analisando as vitrines. Ele agora caminha ao seu lado: hora olha mais à frente e hora olha para o rosto rosado de sua irmã, continua: Ele Adorava assoprar papel pelo tubo da caneta em você, ele era apaixonado, como todos eram por você. Era engraçado quando ele tentava acertar você e acabava por jogar o mais babado naquela sua amiga nariguda. O tempo... Vocês ainda são amigas?
– Não te interessa! O que você quer com essa conversa? – Agora ela para. O Cruzamento das avenidas e o sinal fechado. Ele volta com um passo cumprindo ficando mais uma vez atrás dela e continua:
– Lembra quando você fez aquela tolice com a merendeira corpuda? Como não foi engraçado... Só que seus talentos e com ajuda da supervisora do pátio orelhuda tudo se reverteu ao seu favor.
– Não fiz tolice alguma, foi azar um erro bobo que ninguém deu importância... E depois gostaram mais de mim e continuaram a prestar mais atenção em mim. Hoje tenho mais oportunidades que você, ganho mais dinheiro que você! – O sinal abre e ela avança falando: – Mateus foi você quem sempre fez tolices e continua sendo um tolo, quanta besteira você disse agora, me encontra depois de tanto tempo para falar besteiras... É por isto que eu sou o que sou e você, bem, você é o Mateus né... ­– Ela termina sua frase e continua, chega ao outro lado sem olhar para traz. E com isto ela nem percebeu que ele ficou parado, não cruzou atrás dela.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Não tenho medo da morte

Quando estou dormindo e sonho morrendo: acordo.

Meu amigo da escola é um fantasma

     Sião... Precisamos conversar! ...Sião apareça! ...Deixa disso amigo, você sabe que vou sentir sua falta. Sempre disso isto quando nos alertava sobre este momento... Eu entendendo que não pode sair e o quanto é chato não poder ficar mais tempo comigo... Você sabe, Sião, que sem você eu não sou nada! É você quem me carregou até aqui, que quando me chamam de gênio devo isto a você! Sião... conversa comigo?! ...Você já pensou que quando eu estiver lá com os outros, não terei você e vou ter de estudar de verdade? Sabíamos disso desde o início! Foram fáceis esses anos que passamos juntos, e agora vou sofrer tanto sem suas respostas! Sem você que bisbilhotava por toda escola... Sião, você lembra da primeira vez que apareceu pra mim? Eu nunca vou esquecer Sião! Lembro até que nos primeiros dias você me acompanhou até em casa e brincávamos... Mas, mamãe trancou você na escola e desde de então nunca mais me acompanhou por qualquer outro lugar! Sião... será que você consegue ir para faculdade comigo? Por favor, tente me acompanhar para me ajudar Sião! Na faculdade sem você para me ajudar nas provas e trabalhos, não sei se vou conseguir! Sião... apareça! Hoje é o ultimo dia de aula... Por favor, não fique sem falar comigo! Precisamos conversar Sião!


Terra dos mortos

– Bem vindo à terra dos mortos – Falou quando abri meus olhos...
 – Quem é você? Onde estou? – Perguntei.
– Hoje eu sou você! Você esta morto...
– Isto eu sei, eu vi minha morte! Quem é você que se parece tanto comigo e quem são esses? – Levantei do chão coberto por corais cinza, que se parece com o fundo de um oceano que secou e agora é cinza e podre. Olhando ao meu redor milhares de pessoas, como em um grande estádio, todos em circulo formando morros de pessoas que em silêncio me olhavam.
– Elas estão aqui para que você conte sua história. Elas querem saber quem é você, como viveu, dos seus primeiros dias até sua recente morte...
– Mas se você sou eu, porque não conta para elas? – Falei olhando aquele que se parece tanto comigo.
– Ora... e você ser um mero espectador? Você esta aqui, conte para elas... Não é emocionante quando eu conto, perde a graça se não é você que vai contando sentindo cada alegria e dor... – Sorriu ao dizer
– Vamos comece... – E essas palavras “Vamos comece” se repetia em ecos cada vez mais alto como se todos aqueles ao meu redor repedissem inúmeras vezes aquelas palavras. Sem reação fiquei por um tempo olhando aquelas pessoas, todas estavam mortas. Sentia e sabia disso ao olha-las e olhando para meu corpo, tive certeza que de como morremos chegamos à terra dos mortos.
– Vamos... Comece contar sua história, esses milhares estão aqui só para ouvi-la...
– Vocês não tem outra coisa para se fazer? Por que ouvir minha história? – Gritei para todos...
– Sempre essa mesma timidez... Preste atenção, logo mais você estará nessas arquibancadas também e ficará por tempos e tempos ouvindo histórias é isto que nos mantem aqui... Não temos outra coisa se não ouvir histórias de vidas...
– Não vou contar nada para vocês! Eu não vou ser como vocês...
– Você já é como nós! Olha... – Com a mão em meu ombro disse: – Você só tem uma chance, você só poderá reviver todas essas emoções que viveu em vida uma única vez! E isto só acontece quando se chega aqui... Pense que você revivera cada momento importante da sua vida de novo...
– Já disse que não vou contar nada! – Abaixando minha cabeça, tinha certeza que não queria reviver nenhum momento da minha vida!
– Não faça isto! Você acha que aqui você manda em você? Olhe pra mim, quem você vê?
– Sou eu mesmo, como um espelho! – Disse.
– Então... Se você não contar eu vou contar por você... Mas entenda que eu não gosto de fazer isto, eu gosto de ver vocês que chegam aqui revivendo suas dores, suas alegrias, lembra-se da sua primeira cicatriz? Do primeiro beijo?
– Já disse que não quero!
– Quando terminar, tem um caminho que pode seguir, não sei se você vai chegar em algum lugar, não posso garantir mas, quando os que já estão aqui ficam entediados com as histórias dos novatos, sabe, o mundo pode não agradar todos né, então eles pegam esse caminho e diz a lenda que no fim do caminho você pode deixar uma mensagem para o mundo, vai saber né... Faz assim, conte sua história e depois se vai... E todos ficamos bem, o que acha? – Disse com a mão em meu ombro e sorrindo.
– Não vou dizer nada! ­– Minha cabeça continua baixa e não tenho a mínima vontade de contar nada.
– Vou começar, está bem? Não tem nada demais em só começar... Agora estamos no início. É muito cedo para falar dos pais e família, ainda não os conhecemos. Sinto gosto de leite que me alimenta sem saber que é leite. Conforme vou crescendo sinto gosto de maçã, mamão e banana sem saber que são frutas, apenas o gosto que se repete em minha boca... – Interrompo.
– Pare... Você não pode contar minha história!
– Posso, eu sou você! E eles querem ouvir sua história, é por isto que estamos aqui! Não é pessoal? – Todos claro, concordam.
– Não! Não quero que conte... – Falei com lágrimas escorrendo pelo rosto.
– Está sentindo o gosto de maça, mamão e banana em sua boca né? – Disse ele/eu.
– Pare, por favor! Eu imploro! Pare!
– Por que? Não esta gostando do gosto que sente em sua boca? Sinta por toda sua boca...
– Não! Não! – E arrancando minha língua, jogo ao povo que assiste, cai de joelhos e escorre pela minha boca papinha que mamãe me alimentava...
– Que insolente você! Agora você realmente não pode mais contar, uma pena não?! Mas eu, eu posso! Eu mesmo sem língua posso! E mesmo que arrancasse o pescoço, eu ainda continuarei contando até sua morte! Todos aqui querem saber como morreu! E eu, eu vou adorar ver você sentindo tudo, tudo!
     Ainda de joelhos levantei minha cabeça e olhei para meu rosto que ainda saindo papinha pela boca, continua contar minha história de vida. Tudo que eu vivi ele vai viver enquanto conta, ele precisa contar para existir no mundo real vivendo uma vida como ser humano apenas pelas histórias que conta!

Barreira

Existe o indiferente entre nós, não conseguimos conversar por conta das gírias e ideias opostas.

Contra-indicação

     Após consultar, sai com o saquinho de medicamentos concedidos pelo doutor e seguindo sua recomendação que era de passar pelo grande centro, mercados, lojas e shoppings deixando um medicamento por vez em cada grande fluxo e dizer a seguinte frase: quem pisar irá me procurar e com alegria me doará.
     Tudo muito simples. Jogando o último depois de um dia de passeio por toda cidade voltei pra casa. Recomendação era esperar vinte e quatro horas sem sair de casa que eles chegariam... Dito e feito. Pela manhã já batia palmas no portão:
– Olá – Falo com alegria
– Olá – Diz ele – Aqui está minha doação... – Satisfeito recebo e guardo no lugar apropriado.
E foi assim durante o dia todo, de tempo em tempo alguém batia palmas no portão com alguma doação. Por fim... contando o número de doações e dos medicamentos sabia que não haveria mais doações... Ainda insisti que talvez algum dos tantos pudesse voltar e fiquei mais dois dias sem sair de casa. Mas, não veio ninguém! No terceiro dia em agonia sabendo que não estou mais na melhor fase da vida, aquela em que eu não sabia o preço de nada, só sabia apenas que estava lá... Quando abria a geladeira, quando abria os armários, abria meus olhos para coisas que estavam lá, que era apenas pegar para consumir e mesmo se sabia seu preço, não tinha comprado com meu dinheiro, eu sempre pedia mais dinheiro... Como era bom saber que não era eu quem tinha comprado, quem tinha colocado ali e que apenas podia pegar, usar, comer e jogar fora... Que saudade dessa fase de minha vida... ela não existe mais! Vou voltar ao doutor, foi minha primeira vez lá com ele e talvez uma segunda não seja nada demais...
– Doutor... Realmente funciona! Que medicamento... que maravilha doutor!
– Fico feliz que tenha gostado! E já posso imaginar o motivo da sua volta, mesmo eu alertando sobre as condições...
– Doutor... Eu, eu quero mais doutor! Eu, eu preciso demais!
– Não! Se quiser mais tem de pagar...
– Mas doutor... Só mais uma vez e prometo que volto com dinheiro!
– Por favor, não insista!
     Ajoelho, beijo seus pés, imploro enquanto choro e só ouço: não! Sou retirado do consultório e alertado de não voltar até mesmo com dinheiro por pelo menos cinco dias... Voltar com dinheiro?! Como é ter dinheiro?

domingo, 25 de janeiro de 2015

Com certeza! Não resta dúvida quanto à confusão dos fatos!

Quando falávamos em outro idioma ela nos observava e diria até com admiração... Agora quando conversamos em seu idioma só ela queria atenção.

E mesmo depois de muito tempo falando ninguém memorizou nada e do pouco tempo que só olhamos sabíamos como seria o fim!

Agora que foi um momento para se esquecer, isto sem dúvida foi! Que loucura, que variação de temperatura do ambiente, quanta falta fez, quanta vontade de não ter vivenciado. Tive que me expor na violência que aquela situação nos levou. No escuro me restou matar ou morrer e foi o projeto do projetista, não haver escapatórias. Diria que tudo foi executado com sabedoria. Mas, por parte de quem?

Foi projetado e decidido, só restava ser executado... E Foi! Sim... Como foi até o fim aquela luta constante que se dissipou como em sonho... Aquele “flash” do momento onde sentando junto aos outros e tentando justificar sua estadia... Ali todos justificam alguma coisa que sempre é vista como erronia, blefe e irônica.

É burrice? É burrice sim: agir sem planejar! Não é burrice: lutar até o fim!

Medo? Acredito que sim! Vejo-o como um aliado... Não podendo viver sem.

Se me arrependo? Quem se arrepende de lutar por causas maiores que vale sua vida? Agora esquecer... Seria bom esquecer! Mas a gente nunca esquece algumas causas e seus efeitos... Por fim, diria ele, ainda resta viver!