terça-feira, 25 de novembro de 2014

Quanto tempo faz?

     Ele ligou dizendo ser urgente. Ela desce correndo até a frente do prédio e, entrando em seu carro ele a beijou sem dizer palavra... Apenas beijo longo de saudade, beijo com língua de adeus, beijo de quem ama e se despede... Ela ofegante recuou e o olhou com seus grandes ólhos castanhos. Não demorando nem oito segundos, o pescoço dele se inclina em sua direção e com olhos fechados procura os lábios, a língua, sua mão os fios de cabelo, a nuca.  Encontrado sem palavra o beijo prolonga e, ela com as mãos em seu peito; o afasta prolongadamente... Por fim, tomada de pensamentos ela o tem de pescoço ainda inclinado, lábios molhados e olhos fechados... O que ela pensou durante sua corrida e na língua com língua ela só disse: você me assustou... pensei que fosse algo sério. Ele sorri e diz: saudade é algo sério!

Namorar, noivar, casar, sem amigar e que Deus me livre de Tia Solteira

       Quando sai da minha cidadezinha sabia que iria voltar, sabia porque estava em meus sonhos se casar na igrejinha da praça... Na mocidade namorei em casa com Joaquim. Aos olhos do meu irmão e de todos quando saiamos tomar sorvete, conversar no lago e fica na praça olhando para igrejinha depois da missa... No final do meu ginásio, fui estudar na Capital; vem de mãe para filha e, eu tenho de ser professora. Joaquim ficou e sonhava em bacharel mas, acabou por continuar na farmácia de sua família.  Ainda me lembro das nossas últimas conversas, sem ser nas poucas cartas que ele me responde, ele me dizia: Cidade grande muda pensamento e você docinho quando voltar se voltar, será outra... Aqui em casa dos meus tios continuo sonhando com meu casamento na igrejinha e talvez o que mude é o príncipe porque eu tenho de voltar para me casar na mesma igrejinha em que mamãe se casou. Igrejinha de Santo Antônio. Igrejinha que no mês de Maio recebe moças da capital para nosso rito que toda cidade festejava em alegria. Todos os casamentos da cidade acontecem na igrejinha da praça. É uma festa só... Falam nas missas de domingo avisando toda cidade – Está perto do casamento de Joana... Joana vai-se casar Sábado – No dia do casamento a praça da igrejinha e toda igrejinha é decorada, o lago também é decorado, as ruas são enfeitadas do lugar de saída da noiva até a igrejinha e da igrejinha até o salão de festas, onde todos da cidadezinha são convidados. A noiva chegava em cavalo branco puxado pelo Pai e mulheres casadas ficam na pequena escadaria com flores e enquanto a noiva sobe as escadas ganha flores até na porta da Igrejinha completando o buquê. Algumas noivas escolhem as flores de seu buquê e deixam antes com as mulheres da escada outras não escolhem e ganham flores que as mulheres casadas da família e da cidadezinha dão de coração: Rosas, Rosas Brancas, Rosas Vermelhas, Lisianthus, Orquideas, Lírios, Ruscus, Flor de Laranja e Boca de Leão. Às vezes ganha-se tantas flores e de tantos tipos que o buquê tem de ser diminuído ali na hora antes de abrir as portas escolhendo e enfeitando o buquê não o deixando exagerado. Para chuva de arroz escolhem-se os casais mais antigos ou os padrinhos para molhar os recém-casados... Quando saem pelas ruas até o salão, a noiva em cavalo puxado pelo noivo, atrás toda cidadezinha seguem em festa. Tiram-se fotos no lago, na praça da igrejinha, pelas ruas enfeitas, fotos com família e amigos, chega no salão em festa, música para o casal, corta bolo, brinde, dança valsa, cumprimenta mesas, janta, joga buquê... Lua de mel decorada pelas madrinhas e padrinhos ou paga-se viagem. Como eu sonho em me casar na Igrejinha da Praça.

2 é par e par é plural então nunca se está só

Ela se sentia sozinha, então, comprou: um cacto, uma samambaia, uma orquídea e um pinheiro tuia, todavia não comprou gato; tem alergia e cachorro não tem espaço no AP como tartaruga é muito lenta, pássaros tem de ficar presos, peixes em aquário, aranha, coelho e cobra; presos, porco como fazer chiqueiro no AP, também não dá para; galinha e galo em galinheiro, melhor é comprar mais flores e talvez receba visita das borboletas e dos beija-flores...

O mais bobo dos bobos

       Morávamos: eu, minha irmã (mais velha), minha mãe e meu pai em sítio herdado por minha mãe e lá passei toda minha infância e juventude até serviço militar. A escola era longe e íamos montados em cavalo eu e minha irmã, nada comparado como as cansativas viagens em carro de boi para cidade onde fazíamos compra em cada três ou cinco meses.
       Quando eu estava em idade de sete anos recém-completados fomos todos para cidade fazer compra para o final de ano, pois naquele final de ano, havia um combinando feito no final do ano anterior no qual os parentes da minha mãe e de meu pai passariam Natal e Ano Novo conosco no sítio... E por uma coincidência, ouvimos anúncio várias vezes pelo rádio que aquele programa de TV com o ícone popular do povo chegaria na cidade para realizar suas famosas gincanas, onde presenteava os ganhadores com prêmios. Cidade toda se organizou para receber as gincanas do programa de TV. Ao chegarmos à casa de minha avó e meu avô, pais de meu pai, o dia de fazer as inscrições para os vários desafios tinha começado. Meu pai se dispôs e passou quase a tarde toda em fila na frente do cinema para fazer sua inscrição enquanto minha mãe junto com algumas tias minha, cuidaram das compras enquanto eu e minha irmã ficamos na casa dos avós. De noite estavam todos reunidos em casa dos meus avós e, minha avó sabendo do desafio do meu pai que foi alertado por todos que essa gincana de nome gozador: Os mais bobo dos bobos era a mais difícil do programa, pois ela dava prêmio ao vencedor em dinheiro ou o que se escolhesse no valor do prêmio. E minha avó fez uma “mistureba” – palavras de minha mãe – fazendo meu pai comer até não se aguentar para ganhar força e vencer o desafio. O que meu pai tinha escolhido como prêmio quando fez sua inscrição, ele não confessou, só depois ficamos sabendo.
Após várias etapas e gravações das gincanas com toda população da cidade, chegou o momento do desafio de meu pai. Conta-se que estava um sol daqueles, eram umas três da tarde, todos foram ao local da prova: o cemitério atrás da grande igreja. Lá câmeras, o senhor ícone popular com a cidade toda em cima de muros, nos bancos destinados aos primeiros que iam chegando, árvores onde crianças e adultos subiam. Como a segurança do programa e os policiais cuidaram para não destruírem as casas dos mortos, ficou-se pouco lugar para sentar e conseguir assistir à prova. Minha mãe ficou no final de um grande retângulo de pessoas pelo lado de fora. E todos nós ficamos lá de longe... só ouvíamos pelos altos falantes o que se passava na prova.
E lá estava meu pai entre os dez que concorria aos seus prêmios. Apresentações e dizeres do que desejavam ganhar. Uns queria passagens para São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília: lugares de oportunidade. Outros pediam o valor em dinheiro, poderia fazer muito com ele: diziam. Ao chegar à vez de meu pai, todos riram com seu desejado prêmio: uma bicicleta não muita alta para os filhos. O popular ícone perguntou umas duas ou três vezes se era isto mesmo e sua resposta foi: essa é a única gincana de todas no qual posso ganhar uma bicicleta para meus filhos. Minha mãe quando chegava nesta parte da história, em todas às vezes corriam lágrimas de seus olhos e agora contando para vocês, olha só: eu chóro.
Por fim deu-se início. O desafio como já falei era um tanto complicado: tinham de arrastar um caixão de madeira pesando 100KG – palavra de meu pai – por uma distância de dez metros até uma cova... Detalhe: tinham de arrastar apenas com a força da perna direita; ou com a sola do pé ou lateral do pé ou canela, somente assim poderiam fazer.
Meu pai foi o quinto e o mais rápido dos quatro anteriores. O sexto não conseguiu arrastar. Como também não conseguiu o nono e este foi motivo de risos gerais. Meu pai conta que ele ao chegar poucos centímetros da cova depois de muito tempo arrastando seu caixão deu-lhe uma câimbra daquelas... Ele pulando com uma perna só e gritando caiu dentro da cova e de lá não conseguia sair. E todos que lá estavam gritaram “o mais bobo dos bobos” em coro e riam do pobre coitado.
O essa história que conto para vocês, ouvi durante toda minha vida de minha Mãe com meu Pai sentando junto dela na varada de casa... Em todas às vezes que ouvíamos minha Mãe víamos suas lágrimas. Desde dia só tenho uma única lembrança: Meu pai passando por um grande número de pessoas felizes, todos sorrindo e alguns diziam: Esse é o mais bobo dos bobos e outros diziam: não é aquele da câimbra... Outros falavam de sua perna forte e o cumprimentava. Minha mãe disse no meio de todo aquele barulho de alegria: João... você ganhou. E meu pai sorrindo mais que todos ali, traziam uma bicicleta vermelha com fitas vermelhas. Lembro-me daquele momento de felicidade do meu Pai saindo da multidão como também me lembro dos tombos e corridas pela estrada... De como ficamos bobos com o prêmio.

Aprendiz de escritor

     No pequeno salão na frente da casa do (...) que antes foi um salão de beleza da sua mulher, o  ventilador de teto, duas cadeiras de estofado azul e uma mesa branca são todos os móveis no salão. O professor está sentando em uma das cadeiras com os dois braços sobre a mesa, dessas de professor, aberto por suas duas mãos: um livro e sobre a mesa mais uma quantidade de livros. O seu primeiro aluno ainda não chegou. Sua cadeira vazia posicionada na frente da mesa do professor está assim durante toda à decima semana em que o anúncio no jornal foi publicado. O professor usou de um pseudônimo nos anúncios do jornal (...) que ele considera o melhor entre os que correm diariamente na Capital. O anúncio, uma ideia para ocupar de seu tempo livre de professor de história e quando foi preciso de geografia, sociologia e filosofia, agora aposentado pelo Estado e Município. Com o anúncio espera por interessados em literatura e que deseja escrever melhor ou começar escrever. Para ele o único professor que o ajudou escrever seus trinta livros de gaveta foram os livros que leu. Sua vida foi dedicada ao ensino e é uma responsabilidade muito grande ser escritor. Sozinho, muitas vezes ninguém consegue usufruir de uma boa imaginação e por isto ele oferece ajuda para quem deseja encontrar os caminhos das histórias.
– Pare ai... – Disse o Mestre – você usou do que vê para descrever o início, isto é bom. O início até que é bom só que meio confuso no geral. Agora esse final confunde mais... Primeiro: ele o professor fala que seu único professor foram os livros, ora, se o professor não teve professor, então não existem motivos para ele ser professor. Quem quiser ser escritor que leia livros e tente criar suas histórias e, é claro, que não seja plágio das que leu. Então mude essa parte e tente imaginar quem é esse professor, por exemplo, qual o real motivo de alguém, o professor, anunciar aulas de como escrever? E é interessante também começar a imaginar quem é esse aluno, quem vai ser esse aluno... Eu percebi que você ainda não decidiu o nome do professor, seu perfil, fisionomia e se depois quiser mudar, mude...
– Começo do inicio? – Pergunta...
– Tente começar do que é necessário mudar – Diz o Mestre.
     Após longas três horas de leitura, o professor Batista levanta-se de cadeira e caminha em direção à porta de vidro na entrada do salão. Abrindo-a, olha por um breve período de tempo para seu lado direito da calçada e depois para o lado esquerdo passando cerca de dois ou cinco...
– Para... – Disse o Mestre e continuando: – Existem várias maneiras de se contar uma história. Você pode continuar assim colocando os mínimos detalhes, colocar cada passo, cada segundo do seu personagem, pode descrever cada respiração. Só que isto acaba por levar tempo demais, se tem: Ele acordou com o despertador do celular sete da manhã, sentou-se na cama e... Você pode escrever cinco páginas depois deste “sentou-se na cama” só com pensamentos desse homem. Ele pode ficar cinco páginas pensando sobre qualquer coisa... No meio do pensamento mais lindo, horrível ou de um basbaquismo sem tamanho ele é interrompido por sua mulher que acorda também com o despertado e lhe diz bom dia. E só se passaram cinco minutos do tempo que ele acordou e em pensamento estão cinco páginas. O tempo em uma história no livro é muito importante. Você pode simplesmente cortar coisas e sua história não perderá o foco, qual é o foco da sua? O professor ou o aluno?! – Pergunta o Mestre. 
– Ambos – Responde e o Mestre continua: – O professor espera um aluno que não chega. O leitor sabe disso, sabe que ele ficou três horas lendo e agora que se levanta talvez para fechar a porta, o leitor espera o fim da sua narrativa com simplesmente: ele fechou a porta e prometeu para si mesmo nunca mais anunciar aulas... Porém, um jovem leu o jornal um dia depois ou leu no último dia da publicação (sem saber que seria o último dia do anúncio) e resolveu ir outro dia por falta de tempo, qualquer coisa do tipo... E então tem esse jovem caminhando pela calçada olhando números de casas na procura desse professor que desistiu dos anúncios e de lecionar essas aulas com sua história terminando assim... Você tem várias coisas que podem acontecer e acho que sua enrolação no tempo está prejudicando você. Se você ler crônica, por exemplo, verá uma infinidade de formas de se contar coisas pequenas e grandes em curto tempo e mesmo em romances não se tem tanta enrolação, tantos por menores... Pode se lê um romance de quinhentas páginas e no fim você não sabe o nome do personagem principal e já ás vezes são tantos nomes e personagens em determinados romances que se cansa e se confunde sem saber qual era quem... Crônicas e contos na maioria das vezes é centrado em um único personagem, em um único fato que vai se desenrolando e terminar com duas páginas... Alguns contos têm somente vinte linhas e se diz tanto em vinte linhas... E não é necessariamente colocar nome, contar, relatar, imaginar, confundir, brincar com o leitor ou com seus personagens e suas histórias... O eu lírico narra toda uma história de duas pessoas sem dar nome para elas... E o tempo então... se tem: acordou, tomou café, foi ao trabalho, fez sua hora do almoço, saiu do trabalho e quando chegou em casa viu que sua rotina era tão sem graça que nem deu por vontade pensar como é, como foi, pois, todos os dias são iguais... Aqui agora me esqueço da quantidade de exemplos que existe sobre: romances, contos e crônicas. Ah!... Nunca deixei de anotar! Pensou?! Anote! Você não faz ideia de como sua história mais interessante que já imaginou escrever não começa porque você pensou nela no banho, olhando crianças no parque de diversão, no banco da igreja na hora da missa, antes de pegar no sono e aí você pensa: lembrarei depois... Qual nada... ela se vai e deixa você, como agora, como eu deveria ter preparado essa primeira aula melhor! Sabe?! Ter pensado e anotado o maior número de exemplos para melhor ser está aula... No fim ás coisas foi saindo e cá estamos, entende? Continue...
– Eu também me sinto despreparado, nosso primeiro dia começou com tudo... Eu lembro que assisti a um filme, não lembro o nome e, na primeira aula da menina o professor dela só pedia para ela imaginar, usar sua imaginação, acho que é isto mesmo... Posso continuar?! – Pergunta.– Por favor... E só uma coisa que quero dizer, não se escreve um livro pensando como em um filme, pelo mesmo pra mim não é assim que se conta uma história... Você já viu um filme que se torna livro? Geralmente são livros que se tornam filmes... – Diz o mestre.
     Batista com seu corpo alto e magro em roupa social ficou da porta olhando o pouco movimento da rua e da calçada. Seu cabelo preto e liso penteado para o lado direito e seus olhos pequenos em face magra observa da porta uma senhora que caminha até ele com seus passos lentos. Parando de frente ao salão disse:
– Boa tarde... Estou procurando pelo professor que ensina como escrever, eu li... – Antes que a senhora completasse, Batista que enquanto ouvia ela pensava: meu primeiro aluno? Disse: – Sim! Sou eu!
– Ah!... Olá... – disse a senhora – Me chamo Janet com T mudo no fim: uma lembrança de mamãe. Eu venho tentando escrever um romance durante trinta longos anos... Quero contar – Batista interrompe mais uma vez a senhora, talvez pelo nervosismo do primeiro aluno, disse: – Por favor, entre e conversaremos aqui dentro. Eu sou Batista. A senhora leu o anúncio no jornal quando? – Falou Batista que mostrou a cadeira vazia para sua aluna e sentando-se depois em sua frente. – Essa semana... Agora pra sair de casa é uma dificuldade, nesta idade dos setenta e ainda com alguns problemas de saúde meu filho, é difícil... Contudo, quero tanto escrever a historia da vinda dos meus avós para o Rio, de meus pais, como conheci o amor, sabe?!
– A senhora deseja fazer um romance ou um livro das histórias da família? – Pergunta Batista.
– Os fatos reais eu tenho aqui – falou tirando um caderno de capa dura da bolsa – Aqui está toda história que relembrando vou escrevendo... Comecei quando tinha cinquentas anos, recomendação medica. Agora quero escrever um romance, com nomes diferentes, podendo acrescentar coisas que não existiu, contudo, mantendo nossas emoções vividas.
– Vamos ver... – falou o professor pegando o caderno de dez matérias.
     Gostei... – O Mestre continua: – você conseguiu prolongar... Estou imaginando como vai ser quando eu pegar o que você escreveu para ler... Podem-se ter tantos erros em colocação das falas e nas palavras... Melhor não pensar e ler... Até agora, você pode continuar desenvolvendo como uma segunda história dentro dessa primeira isto é bom para romances. Pode-se ter o professor ajudando essa senhora e através do que ele ou ela lê você vai criando outra história... Só que quando se existe o fator data, porque ela fala que deseja escrever sobre seus avós, pais e sua história, tem que ter conectados fatos e isto ajuda incrementado o romance, pode pensar em imigrantes, viagem, guerra, com isto você tem um campo muito amplo do que só aquela história do professor que deseja ensinar o aluno a ser escritor...
– Pode ter no meio das histórias a morte da senhora, ela já deixou os relatos com ele e depois de trinta livros de gaveta, com esse ele resolve busca meios para publicar... Também posso dar um desinteresse do professor pela aluna e fazer um conto do que poderia ser um romance...
– Sim... Como eu disse: você tem campo maior agora para explorar... – Diz o Mestre.