sábado, 25 de outubro de 2014

DEUS na causa

Graças a Deus fica com Deus pede pra Deus se Deus quiser vai com Deus o tenha só Deus sabe fé em Deus

Sorte

     Vamos lá pessoal... Animação! Vou girar e tirar o cupom com o número do grande ganhador! Preparados? – Sim – (todos gritam) Saiu... Saiu o número: tan... tan... tan... tannnn... O ganhador é o do cupom... olha lá... 666! Repetindo: Seis-Seis-Seis!
– Aaaahhh... Ganhei! Eu ganhei! – Levanta os braços, balança suas mãos, pulos e sorriso, olha confere mais uma vez o número e está certo – Ganhei – e abraça quem não conhece, recebe parabéns de quem nunca viu e antes de sair correndo em direção ao palco a mulher com quem conversava durante o sorteio diz:
– Parabéns! Eu queria ter ganhado... – Com cara triste à coitada...
– Obrigada!  Aiii... Graças a Deus!
– Eu também estava concorrendo! Bom... centenas de pessoas aqui estavam concorrendo e Deus ama mais você do que qualquer um de nós... – Venha receber seu premio e deixe de comemoração. Suba já no palco, precisamos conferir seu cupom... – Diz o locutor do sorteio.
– Não! Porque isto? Ele ama todos nós! Foi só uma maneira de dizer, um hábito...
– O problema esta nesses maus hábitos... É por isto que o país continua corrupto com falcatruas. Esse tipo de hábitos corrompe o povo. – Todos já pediam mais um sorteio. – Ainda faltam mais dois prêmios – diziam uns. – Vamos com isto – diz outro. – Tenho que trabalhar moço, ande logo com isto... – diz outra... E a ganhadora sai em direção ao palco pelo espaço concedido pelo povo e diz:
– Magoada com sua inveja... Vou lá receber meu prêmio!

Jovens do Niilismo

     É domingo à tarde. Faço minha caminhada todos os domingos quando não chove – nesta praça. Antes de me alongar, enquanto caminhava em direção à pista de caminhada, li em um dos cartazes espalhados pela praça: Primeiro Encontro Niilista do Brasil. Perto da grande fonte no centro da praça, jovens sentados no chão em círculo. O cartaz me convidou a sentar junto deles e entender melhor o que é esse encontro e mesmo sendo tímido, sentei no espaço vazio do círculo cumprimentado com a cabeça uns que me olhavam desconfiados. Sentei-me e logo se levantou um jovem magro calçando chinelos de dedo, calça social e camisa de manga comprida sem gola e de poucos botões no peito. Com atenção de todos, ele começou:
– Primeiramente Boa Tarde... – Boa Tarde  Como todos aqui sabem; fui o criador do Grupo no Facebook e tive a ideia do Primeiro Encontro de Niilistas do Brasil. Vou ler o meu Manifesto e depois pela ordem estabelecida no Grupo, vocês leem os seus Manifestos também. Lembrando que só através de um Manifesto de sua autoria você poderá expressar suas ideias. Então sem mais delongas começo:
     Essas histórias que impulsionam os povos são usadas para manipular famílias, ensino, trabalho, lazer e de modo geral a política. Todo nosso conhecimento que é adquirido de forma forçada, nos obriga por meio dessas psicoativas, psicodélicas, grande mídia, costumes, canais, estações, locais, cinemas, mídia social, educação, religião, viagem, mitos, lendas, dinheiro, moda, consumismo, comercio, prestadores de serviços, posse, sobrenome, nome, origem, futuro, carreira, prestigio, riqueza, destino, aceitação, caridade, admiração, ídolos, fãs, artistas, sucesso, eterna juventude, intelectuais, cientistas, mendigos, usuários, pobres, falidos, carentes, ricos, poder, classe, raça, direito, justiça, segurança, aceitação, ocultação, padres, pastores, profetas, padrão, verdade, homens da lei, velhos, política, política do partido, rei, etc... Que para se vê livre delas teria de se nascer nas montanhas, nascer como homem filho dos homens da floresta em seu habitat natural, como índio livre antes da colonização ou em uma comunidade de animais racionais projetada com novos padrões de vida, cultura e consciência moral estabelecida sem contanto com o mundo do caos e de qualquer conhecimento hierárquico dessas historinhas que o povo conta e que a ciência explica e tudo continua em lavagem cerebral de nós cobaias esperando esperançosos pelo apocalipse da extinção sem conseguir lidar com nossa real existência e que se vai se estabelecendo com tempo uma mascara, um outro, uma cópia de outro, um que se passa por autentico e que por fim só se adaptou no fracionamento de coisas, pessoas, lugares, filosofias de vida e religião, porém, no fim são só histórias onde tudo se revela à acredita que por ser tão sábias e proféticas conquista gerações com suas recusas de continuar vivendo para morrer acreditando que fez o que deveria fazer e quando não fez, lembra-se que não existe mais tempo ou não teve tempo e agora aceita sua morte ou morre sem aceitar e que não seja um fantasma incomodo que viu o que existe pós seu existir e não quer deixar quem está vivo viver a sua maneira como à cópia da cópia.
     Abaixando as duas mãos que segura a folha do seu manifesto e levantando sua face, correu os olhos para todos ali. Passou-se meio minuto talvez e vendo que ninguém falava algo ou batia palmas o jovem perguntou:
– Estão... o segundo quê se levantar e ler o seu? – Levantei e ele voltou à vista em mim. Deixando de ser tímido mais uma vez, disse:
– Tem vários meios de se libertar desse mundo que você não aceita ou compreende. Recomendo que vocês vão para alguma chácara, plantem e tentem viver por contra própria, já existem várias tribos: religiosas, nudistas, sustentáveis, vegetarianas, enfim... Criem uma niilista onde não se precisa de um sentido sendo tudo permitido e vão viver sem dizer como nós, essa cópia da cópia vivemos e temos nossas crenças... – Olhei a minha volta e todos me olhavam.
– Você... cadê seu manifesto impresso? Vamos voltar à ordem do sorteio, quem é o próximo mesmo? – Disse o jovem que olhando e vendo que eu não tinha nada nas mãos voltou suas vistas ao seu bloco de notas e mesmo assim continuei:
– Vocês querem destruir até a ciência? Você deseja voltar aos primórdios do homem e acha que todos são iguais a você? Que todos iram simplesmente aceitar suas imposições deixa ledo tudo que já tenham feito, toda sua história de vida? – Nisto Levantou um dos que estava sentado e disse:
– O meu niilismo continuamos com ciência, a ciência nos faz niilistas! O que devemos destruir são as religiões que atrasam o homem
– Não de ouvidos – disse o jovem do manifesto – ele não faz parte do nosso grupo e está tentando chamar atenção. Por favor, quem é o próximo?
– Vocês são loucos ou inocentes... Aposto que essa ideia não é sua e você deve ter... – interrompe o jovem do manifesto – Está cancelado o primeiro encontro de niilista. Esse homem não entende que não queremos conquistar o poder, queremos é destruí-lo! Vamos nos encontrar no grupo do face e escolheremos outro lugar que evidentemente não será mais em uma praça. Lembrem-se: nossas ideias expressas em cada manifesto servirão de apoio para escrevermos o manifesto final com todas nossas ideias juntas com o intuito de sair da escuridão que a miséria global nos força e com isto conseguirmos uma melhor vida social. Até breve pessoal...
     E todos se levantaram e se foram. Eu ainda tentei conversar em particular com um e com outro, mas todos saíram olhando para seus aparelhos celulares me deixando só...

Plantei uma árvore sem água para regar.¹


Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas...²


¹ Alfredo Quembo (Dinho) – Língua: Vidas em Português.
² O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry.

Avô Pai e Filho?!

     Rubens tem dezesseis anos e planeja seu primeiro intercambio. Ele e sua Mãe Maria estão desenvolvendo essa ideia em conjunto com o professor particular de línguas do Rubens. Rubens ainda não se decidiu se vai aos Estados Unidos ou Canadá. Pela primeira vez ele vai falar com seu Pai Luís sobre qual lugar o Pai aconselha que ele vá...
     Em um domingo após o jantar Luís está deitado no sofá e folheia uma das revistas semanais que assina. Enquanto Maria cuida da louça do jantar, Rubens que foi ao banheiro e ensaiou por cinco minutos suas ideias, agora senta no sofá ao lado para conversar:
– Pai... a Mãe falou que desejo fazer intercambio?
– Ela me falou e eu gostei da ideia...
– Ainda estou indeciso quanto ao lugar... o que acha?
     Luís fecha sua revista, senta-se no sofá e coloca a revista ao seu lado esquerdo e olha para seu Filho. Este que antes tinha o corpo mais a frente com suas costas inclinada e os antebraços sobre os joelhos, volta seu corpo e encosta no sofá.
– Sem dúvida Filho você tem de ir para Rússia ou China!
– Rússia Pai? China... Não! Não quero ir para esses lugares não!
– Como não Filho... Seu Pai e seu falecido Avô Danailton vamos ficar tão felizes em ter um Morato... – Luís é interrompido por Rubens – Não Pai! Quero ir aos Estados Unidos; Nova Iorque, Califórnia, Los Angeles... – o Filho é interrompido pelo Pai – Não! Filho meu não vai fazer intercambio para esse país! Seu Avô deve ter revirado no tumulo com essas palavras!
– O que meu Avô que nem conheci tem com isto Pai?
– Já contei inúmeras vezes da luta de seu Avô pelo nosso país... Que ele e seus camaradas foram vítimas da Ditadura Militar. Ele quando tornou públicas suas ideias de Comunismo através do seu Jornal e depois foi preso e, nunca mais tivemos notícias dele que iniciava um grupo de militantes armados para fazer revolução...
– Então meu intercambio tem haver com sua política... Com essas ideias de querer governa com armas, opressão, censura... – Enquanto conversam a perna direita de Rubens chacoalha em ritmo com o seu nervosismo.
– Que isto meu Filho?! Essas coisas não existem mais...
– Tanto existe aqui como existe mais forte ainda para esses lugares que o Senhor deseja que eu vá... Eu andei lendo Pai!
– Lendo mentiras! Coisas desses que querem dominar o mundo meu Filho...  – O pai ficou nervoso com a ideia de intercambio para país que não lhe agrada...
– Países Oligárquicos... – diz o Filho.
– Você pode até achar seu Pai ingênuo por acreditar em um mundo igual para todos mesmo que seu início não seja do jeito certo, se é que existe um jeito certo... Mas quero que você tenha em mente que o Socialismo é importante por todas essas mudanças no mundo e em nosso país, hoje vivemos uma igualdade de direito muito maior...
– Esse relato de como seria encobre o como é... Esses partidos ditos do povo e pelo povo é só um meio de permanecerem no poder delineando ditaduras conseguidas pela força e com as doações para quem não trabalha, comprando suas vontades com dinheiro...
– Que isto meu Filho? Você ficou doido foi? Você não está dizendo coisa com coisa! Parece-me que você não entende é nada mesmo e por isto precisa fazer esse intercambio para clarear essas ideias – Maria chegou até a sala e ficando atrás do sofá do Luís, disse: – Olha só... meu Filho conversando de política com seu Pai... Vai seguir carreira meu Filho?
– Não Mãe! Não quero isto pra mim... Eu entendo as coisas de outra forma!
– Quem persuadiu meu filho contra seu Pai?
– Que isto Maria... O menino está com as ideias confusas e estou tentando clareá-las.
– Clarear não deixando que eu vá para onde eu quero ir?! – Diz o Filho enquanto Maria caminha passando entre Pai e Filho e, senta-se ao lado de Luís depois de colocar a revista sobre mesa de centro e diz: – Meu Filho... Sempre tentamos colocar diferença entre os homens... Você e seu Pai são iguais, cresceram em períodos diferentes, tiveram ensinos diferentes, mas mesmo assim você se tornará um homem como seu Pai – Rubens interrompe sua Mãe – Não serei político Mãe! Não quero isto pra mim! – Luiz diz: – Não quer representar o Povo meu Filho? Lutar por uma vida melhor para a sociedade... – Papai... – Rubens sorri e se levanta caminhando pela sala e aponta aos móveis – Olha nossa vida... Olha que temos em casa e o que se consegue com política aos povos – Luís se levanta também e diz indo na direção de Rubens – É por isto que o mundo está assim meu filho... Só conseguimos ver diferenças! Tudo é quantitativo, qualitativo, tudo é divisão, segregação... Filho... – Luís coloca uma mão em cada ombro de Rubens – É por isto que não quero que vá a um país formador de cultura de consumo, que você não consiga ver porque tudo lá não se mostra e tudo se paga. – Pai... quero ir para um país onde todos os homens são iguais... – Luís interrompe Rubens – Tudo bem... vamos decidir isto depois, mas primeiro quero explicar uma coisa... Vamos sentar – Luís caminha de volta ao sofá senta-se ao lado de Maria e Rubens volta ao seu lugar de antes e senta-se com as costas inclinada e seus antebraços nos joelhos. – Todos somos políticos meu Filho! O que ocorre é uma repetição inútil para o desaparecimento das variações que não são favoráveis e a manutenção das variações que o são: como os maus políticos persistem sendo hábeis. O meio entre os mais pobres e os mais ricos é quem se encarrega dessas variações: por isto o governo do meio é quem faz e fez por todos, sempre é o mais aceito e perpetua...  É nesta seleção onde desaparecem as variações que não se adaptaram depois da mudança. No país como o Brasil existe uma diferença enorme de políticos eleitos pelo povo em cada Estado que mesmo sendo o meio quem faz essas mudanças, elas não são iguais em cada Estado. E na maioria das vezes o que vemos nem sempre é... E o mais habito é aquele que através das diferenças de todos é eleito por eles mesmos representando uma ideia que nem sempre é a de seu partido, como se ele fosse solo. Ao contrario do que se pensa: que o mais forte é sempre o vencedor, às vezes o vencendo é aquele que nos leva para uma regressão, pois a força bruta não é o que mais vale em nossa sociedade. Você entendeu onde quero chega?
– Luís... nosso Filho é inteligente e é claro que entendeu... Não é mesmo Filho?
– Tah... Quando vamos decidir Pai?
– Olhe... talvez nem tenha como ir para Rússia ou China mesmo... Eu tenho uma ideia: Você vai à França: os criadores da direita-esquerda dos partidos e quando retorna terá de fazer uma faculdade escolher qual profissão seguir... Aí você pode fazer umas viagens de férias e decidir qual caminho seguir, o que acha?
– Por que eu não posso ir para onde eu quero?
– Porque sou eu quem vai pagar! Você ainda é menor e não quero você em lugar que não me agrada!
– Rubens... nós devíamos ter previsto isto... – diz Maria – Seu Pai é antiamericano... Já sabíamos disso... Vamos todos comer o bolo de sobremesa? Ainda temos tempo.... deixa essa ideia amadurecer. Precisamos do tempo para esclarecer tudo nessa vida mesmo...
– É... quem fica sem tempo sou eu e quem não vai onde quer sou eu... – diz Rubens abraçado com sua Mãe caminhando para cozinha...

Avô Pai e Filho

     Voto de felicidade para meu querido filho: Roberto Virgílio Pinto Neto que tanto me orgulha!
     Filho... Casado com os votos de felicidades de todos que com carinho estiveram e permaneceram ao seu lado e ao lado da nossa família, peço-lhe que guarde e cuide com amor nosso legado político e partidário Democrata com nossas histórias de conquistas na Família, no Partido, no Estado e no Brasil.
     Seu avô conta que quando empreendeu na saúde desta cidade, por ser médico, foi o início de uma cidade e de um legado político que anos depois se confirmou com ele eleito Deputado. Enquanto papai discursava em palanques gerais por todo o Estado, fiquei junto dele, não o abandonando em nenhum momento de sua vida política. Depois que me formei em direito fui eleito Deputado Estadual mais novo e o mais votado do meu Estado enquanto seu avô ainda era Deputado Federal sendo por três mandados seguidos, uma conquista para nossa família. Comigo também na luta por um legado político participei ativamente em nosso partido, hoje decisões partidárias em nosso Estado passam por mim. Chegou sua hora meu filho, cresceu nesta cidade, cursou economia, conheceu e casou-se com sua companheira. Desde criança esteve comigo pedindo voto por todo o Estado que por vezes fui eleito Deputado Estadual, Senador e hoje sou o Governador do meu Estado. Com você está nosso legado político. Por mimos da família vamos elegê-lo Prefeito desta cidade que tanto faz por nós. Quando estiver no poder não se preocupe meu filho, o povo faz parte do nosso legado e nunca vai nos abandonar. Não tema os que tentam caluniar nossas vitórias políticas, pois, colocaremos amordaças nesses fracassados políticos sem sangue de líder, jornalistas de segunda e pessoas que não entende de política, todos eles se calaram no decorrer do tempo. O tempo é político meu filho.*
     Não preciso pedir para se preparar, você já nasceu preparado. Seu filho também carregará nosso legado político e que Deus nos ajude no primeiro: que seja homem. Assim como seu avô, seu pai e você.
 
Abraço de seu Pai que lhe ama: Roberto Virgílio Pinto Filho.

 

*Wisława Szymborska - Filhos do tempo:

Somos filhos do tempo
o tempo é político.


Todas tuas, nossas, vossas
ocupações do dia e da noite
são políticas.

12 meses se passaram

10 perdidos em futilidades. Uma busca por continuar nessa percepção renasci nos 2 últimos.