quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Hippie do Espetáculo

Minha senhora, artesanato não tem preço fixo! É tudo questão de arte.

Quando vamos comprar uma mercadoria – que é diferente de artesanato – encontramos valores fixo. Aqui não, aqui negociamos. Não estou vendendo uma mercadoria como se ela fosse viva e, ela própria sabe-se de seu valor. Aqui, eu e você, vamos encontrar o valor, vamos negociar minharte e separá-la de uma mercadoria. Não vendo insatisfação!

Aprendi com meu pai a fazer artesanato ou talvez seja um dom divino... Genética... A gente nunca sabe dessas coisas, não é mesmo?

Meu velho está em um mesmo ponto na praia há vinte anos. Eu não sou de nenhum lugar, porém, sou igual a todos os lugares que passo...

Fiz castelos de areia em várias praias, desenhei mulheres, paisagens, objetos, animais em tudo que me colocassem a mão! Um bom artista sempre tem seus materiais com consigo e sempre se preocupa com sua capacidade. E o bom mesmo é ser livre, onde busco conhecer muitos lugares, ser artista!

Nunca pinto uma mesma paisagem e sempre dou forma até não mais poder em meus castelos.

Quando utilizo cerâmica, o artesanato será único. Não repito a forma de um objeto ou qualquer outra coisa que já fiz. E... Isto é bom. Quem compra, é quem reconhece minharte como um objeto e não como sujeito de uma marca.

Não sou assalariado como objeto! Eu vivo com o que tenho e pelo que me dão. Por eles estarem comprando enquanto viajo com minhas vendas... Não compro quase nada da industrialização. Eu não vendo mercadoria! Eu vendo minharte! Estaria eu pecando agora perante a magnitude d’arte e seus criadores? ...Mais em todos os lugares por onde passo, eu, eu sou uma parte da magnitude ou é muita estrela pra pouca constelação? *

Para todas as pessoas que citei poemas por onde passei de Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade e a quem mais por esses caminhos que percorri, conheci. Todas elas estão juntas no final do dia, mês, da soma final do espetáculo.

Artista de rua, hippie, migrante, pode chamar como quiser... Estou no inconsciente das cidades permanecendo inalterado. Sou autêntico comigo mesmo, com meus princípios de fazer parte desse espetáculo... Mas todos nós pertencemos ao mesmo espetáculo! O que une e separa ao mesmo tempo, onde todos estão na busca de pertencer e representar a economia como nossa mãe fonte de tudo aquilo que somos e buscamos ser.

Se não tenho o que fazer? Eu não tenho é outra coisa para ser, tornar-me como objeto de um meio, grupo, cidade, país ou planeta... Sou fragmento, apenas uma parte de um todo maior que está por vir e que já se passou dele, boa parte. Então, que esse fragmento de nosso tempo esteja em sua memória, estante, armário, parede, gaveta, chão, jardim, decoração por muito e muito tempo através d’arte.

Quem sabe em qual outra vida se existe outra vida ou planeta de alguma outra estrela em algum outro universo, quiçá em nosso se encontrará um hippie do espetáculo, não?!




*Raul Seixas e Marcelo Nova - Música.