segunda-feira, 25 de março de 2013

Terno escuro, gravata clara. Calça social e sapatos pretos, caminhando em dia quente sob o sol.

     – Que calor desgraçado! O sol queima minha cabeça... O mormaço que sobe aos céus da rua e da calçada. E essa minha dor de cabeça que lateja me deixando com mau humor dos diabos! Será que é a mistura do café com o sol? Ou será essa caminhada, essas pessoas que parecem não ter pressa, que andam como se tivessem olhando as lojas, os carros ou sei lá o quê... – Flávio se sente mal. Ele pensa conforme anda, anda pouco: menos de um passo por minuto. Ficou na ponta dos pés e olhou mais a frente e lá na frente ainda mais pessoas caminhando, subindo, algumas empurram forçando a passagem. Entre as que sobem, algumas descem... Ele volta se arrastar pela subida sob o sol com sua dor e raiva... – Essas duas mulheres que mais conversam do que andam... Essa subida, esse sol, essa dor de cabeça, essa conversa de mulheres medíocres em minha frente. Como odeio ter que caminhar, como odeio esse sol! – Caminhava pouco, porém, sob o sol já estava há muito. Almoçou e tomou café como sempre fez, agora retornando ao trabalho sua cabeça quer explodir. Nem todos os seus dias são assim: esse movimento todo da volta ao trabalho. Mas, hoje seu dia já tinha começado mal. Ele acordou mal, trabalhou pela manhã mal, seu almoço foi mau, ruim. O café que sempre fez companhia depois do almoço e essa mesma subida de sempre, hoje parece mal, ruim, horrível!
     – Será que ele não viu nossas alianças? – As duas mulheres na frente de Flávio conversam. Elas se sentiram incomodadas pela forma que o jovem descendo pela calçada passando por elas, olhou, ou melhor, secou as duas. O jovem de camiseta preta com estampa de estrela vermelha dentro de um circulo também vermelho, calça jeans, tênis e com cabelo negro curto, de corte militar, passou olhando mesmo, com vontade. Flávio enquanto caminhava também olhava para o corpo das suas mulheres. Em sua frente da esquerda para a direita, a mesma que acaba de fazer essa observação para sua amiga, está em calça jeans e camiseta, cabelo curto junto ao ombro de cor vermelha, bunda mediana, cintura fina, talvez seios medianos, uma oriental. A outra toda de social, como advogada: saia azul marinho pra cima dos joelhos, camisete também azul marinho e cabelo pouco negro mais pro castanho escuro, preso de uma forma estranha, com o coque pra cima, pelo tamanho do mesmo o cabelo deve ser comprido, daqueles que vai abaixo da cintura. Usa sapatos pretos de salto alto. Elas não me parecem preocupadas com a subida e com a demora em subir...
     – É claro que viu! Olha à grossura... – Responde para outra.
     – Você tem que fazer assim – Ela levou sua mão esquerda sobre a boca, como às vezes se faz ao bocejar...
     – É... Arrumar o cabelo... Porque talvez assim eles caiam na real. – E as duas passaram a rir. Flávio depois de ouvi-las entortou sua boca de lado e passando ao lado das duas continuo sua subida, agora forçado à mesma, empurrando, bravo e sem paciência. – Elas pensam que nós homens olhamos para aliança, qual nada... O que olhamos mesmo é o tamanho de suas bundas, de seus seios. Para homens como eu isto é que importa! Ás vezes até pegamos umas raimundas só para ter essas mesmas bundas e seios em uma noite.

Em algum lugar

Então disse: acredite em fatos sem teorias se houver, porém, não em teorias sem fatos.