sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A vida continua....

      Eu nunca me apaixonei. Nunca conheci o amor! Que triste... Será que vou morrer sem nunca ter me apaixonado? Ainda sou jovem: quinze anos. Todos os meus quinze morei com minha avó. Ela não me respondeu quando perguntei se mamãe tinha me colocado aos cuidados dela pelo fato de estudar no colégio onde ela é diretora. Ou pelo fato de meu pai ter nos abandonado e ela sozinha não iria conseguir me criar... Minha rotina até esses dias era tão feliz. Como eu me sentia feliz há meses atrás... Assistindo novelas na companhia de minha avó ficava pensando que, quando eu me apaixonasse, seria igual, eu iria fazer igual, iria tratá-la bem... Aquilo tudo que eu assistia nas novelas me motiva encontrar alguém, ter uma namorada. Meses atrás eu estava procurando pelo amor: pelas ruas, na escola, minha vizinha, até onde antes não fazia sentido... Será essa minha paixão? Namorarei aquela? E essa, como chegar nela? ...Mas não era nenhuma delas. As vezes parecia que elas nem me notavam. E o amor nunca existiu. Mesmo aqui no hospital, eu fico pensando: talvez o amor está entre as enfermeiras, talvez eu conheça uma garota com a minha mesma doença, talvez outra, e vamos fica pensando em como poderíamos ajudar um ao outro, não importa, eu vou...

Em praça não alimente os pombos

      Por esses dias um amigo passou na praça em que eu estava lendo Shakespeare. As sombras das árvores sempre deixou-me a vontade para ler, o vento deixa fresco o local e o barulho nunca atrapalhou na leitura. Foi a primeira vez que ele falou comigo. Ele sempre passando e eu sempre lendo.
– Eu sempre passo por essa praça e o senhor está lendo Shakespeare. Acredito que o senhor é muito inteligente... – disse meu amigo com uma voz doce e tímida. Sorrimos um ao outro. Ambos parecemos ter a mesma idade, mesmo tamanho de corpo e rugas. Antes de lhe responde pensei: "Ele lê todos os dias a capa do meu livro? O que ele deseja? ...O Shakespeare, o local onde leio, o horário em que leio". Ele parado em minha frente, quase pronto para puxar uma cadeira e sentar-se na mesa em que leio. Porém tímido fica olhando-me esperando uma resposta. "Devo cultivar essa amizade? Não! Não sou de amizades com esses tipos". Pensei.
– Inteligente? O que você sabe sobre inteligência? Eu sou inteligente e por isto piso nas pessoas como se fossem cascas de ovos quebrando todos em mil pedaços! Piso em você também com meu ego enorme. E sempre consigo deixar todos constrangidos por rir na cara deles quebrados ao chão e as vezes até cuspo neles! – Falei alto, cuspindo essas palavras. Movimentava as mãos e nas ultimas palavras fechei os olhos e terminei minha fala. Tudo foi muito rápido...  "E agora, consegui deixar esse meu amigo que sempre passou por mim ofendido?" Pensei.
– Que absurdo de se ouvir! Você fica lendo como se fosse um velho rei...  Do que vive?
"Ele se sentiu ou não ofendido? Porque deseja saber sobre como vivo?" Pensei.
– Isto não lhe interessa amigo, deixei-me ler, você tira-me da leitura para futilidades?
– Você, você não deve passa de um velho aposentado ou talvez encostado por não aguentar trabalhar, não tem cara de rico! Eu só queria saber como consegue ficar lendo dia após dia em horário comercial e viver a vida...  Falou aumentando o tom de sua voz, antes doce e educado, agora pronto para sair os murros. Eu apenas sorri por ver sua ira e ele continuo  Mas não importa, vou trabalhar e deixar você com sua leitura de fresco. "Se eu lhe responder, se lhe oferecer mais resposta, estarei dando liberdade para aumentar sua ira ou nossa amizade, mas ele, ele jamais será meu amigo, jamais compreenderá como vivo e do que gozo, essas pessoas não podem fazer parte do meu círculo de amizade". Pensei
– De minha vida cuido eu! Continue como sempre o faz: passe contemplando e se vá amigo...  Sem mais interesse para discussão ele se foi. "Consegui... Consegui o que eu queria. Mais uma vez terei de mudar meu local de leitura? Não posso volta a ler em casa: os empregados, minha esposa, essas pessoas me sufoca. Os lugares que não posso ir e o que me resta? Essa cidade é grande, se precisar, ei de encontrar mais uma vez outro local para leitura". Pensei e voltei ao livro.
 

Difícil de entender


A classe social é uma forma de discriminação: onde eu posso e você não!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Hippie do Espetáculo

Minha senhora, artesanato não tem preço fixo! É tudo questão de arte.

Quando vamos comprar uma mercadoria – que é diferente de artesanato – encontramos valores fixo. Aqui não, aqui negociamos. Não estou vendendo uma mercadoria como se ela fosse viva e, ela própria sabe-se de seu valor. Aqui, eu e você, vamos encontrar o valor, vamos negociar minharte e separá-la de uma mercadoria. Não vendo insatisfação!

Aprendi com meu pai a fazer artesanato ou talvez seja um dom divino... Genética... A gente nunca sabe dessas coisas, não é mesmo?

Meu velho está em um mesmo ponto na praia há vinte anos. Eu não sou de nenhum lugar, porém, sou igual a todos os lugares que passo...

Fiz castelos de areia em várias praias, desenhei mulheres, paisagens, objetos, animais em tudo que me colocassem a mão! Um bom artista sempre tem seus materiais com consigo e sempre se preocupa com sua capacidade. E o bom mesmo é ser livre, onde busco conhecer muitos lugares, ser artista!

Nunca pinto uma mesma paisagem e sempre dou forma até não mais poder em meus castelos.

Quando utilizo cerâmica, o artesanato será único. Não repito a forma de um objeto ou qualquer outra coisa que já fiz. E... Isto é bom. Quem compra, é quem reconhece minharte como um objeto e não como sujeito de uma marca.

Não sou assalariado como objeto! Eu vivo com o que tenho e pelo que me dão. Por eles estarem comprando enquanto viajo com minhas vendas... Não compro quase nada da industrialização. Eu não vendo mercadoria! Eu vendo minharte! Estaria eu pecando agora perante a magnitude d’arte e seus criadores? ...Mais em todos os lugares por onde passo, eu, eu sou uma parte da magnitude ou é muita estrela pra pouca constelação? *

Para todas as pessoas que citei poemas por onde passei de Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade e a quem mais por esses caminhos que percorri, conheci. Todas elas estão juntas no final do dia, mês, da soma final do espetáculo.

Artista de rua, hippie, migrante, pode chamar como quiser... Estou no inconsciente das cidades permanecendo inalterado. Sou autêntico comigo mesmo, com meus princípios de fazer parte desse espetáculo... Mas todos nós pertencemos ao mesmo espetáculo! O que une e separa ao mesmo tempo, onde todos estão na busca de pertencer e representar a economia como nossa mãe fonte de tudo aquilo que somos e buscamos ser.

Se não tenho o que fazer? Eu não tenho é outra coisa para ser, tornar-me como objeto de um meio, grupo, cidade, país ou planeta... Sou fragmento, apenas uma parte de um todo maior que está por vir e que já se passou dele, boa parte. Então, que esse fragmento de nosso tempo esteja em sua memória, estante, armário, parede, gaveta, chão, jardim, decoração por muito e muito tempo através d’arte.

Quem sabe em qual outra vida se existe outra vida ou planeta de alguma outra estrela em algum outro universo, quiçá em nosso se encontrará um hippie do espetáculo, não?!




*Raul Seixas e Marcelo Nova - Música.

sábado, 25 de maio de 2013

Professor

     Por quais motivos uma pessoa qualquer que antes era vista como pessoa normal, de bem, elogiada por sua família, amigos e vizinhos, planeja um assassinato e, não só planeja passo a passo, como cumpre cada um deles no momento decidido pela mesma? Quais motivos: ódio, inveja, vingança, medo, quais, quais sentimentos dominam essa pessoa e passa ser tudo que gira em torno de si, cada momento do seu dia em um só pensamento, várias e várias vezes se estendendo por dias. É difícil responder essa pergunta, como é difícil mudar uma ideia ou atitude de qualquer pessoa sobre qualquer assunto, é difícil convencer alguém quando a interesses por traz de cada atitude. Dizem que todo mundo um dia já pensou em matar outra pessoa, que já desejou mal para outra, enfim... E quando não se planeja? Eles apenas agem tomados de impulso e depois procuram inventa uma desculpa ou tentam explicar de um modo como se não estivessem enxergando nada em sua frente, estariam foras de si, contratam médicos, fazem exames, uns choram e dizem: – Fiz! E não me arrependo! Outros choram ainda mais e se dizem arrependidos. O certo é que inúmeras pessoas age às cegas...
– Por que você o matou? Por que fez isso porra? – Advogados... Já ouvi advogado fala que tudo é como um teatro, ele, precisa representar bem, convencer o diretor, convencer o público e, esses, mesmo com o texto original nas mãos, não podem perceber um erro de fala ou qualquer outro erro, sua habilidade de incorporar o personagem e ocultar o roteiro para defender seu cliente é maior.
– Ele era uma bixa, um viado filho da puta! – Convicto e sem remorso, é assim que este jovem menor fala ao seu advogado.
– Não é assim! Isto não vale de nada, não vale de justificativa caralho! – O advogado é experiente. Tem uma bela carreira, os casos que perdeu, talvez fora pra pegar dinheiro do outro lado da moeda sabe, digo, falo dele apenas como velhote de quase trinta anos na área, seu cabelo branco de corte curto, seu rosto liso de barba feita, seu uniforme: gravata vermelha, terno escuro, calça escura, sapato escuro, sinto escuro e camisa branca.
– Que se foda! – Com um soco na mesa continua – Matei aquele filho da puta mesmo!
– Matou... Matou! Que legal... E agora filho da puta? E agora caralho! Olha onde você tá porra, você acha que foi fácil entrar aqui pra conversar com você? – O jovem está na delegacia para o adolescente infrator: DAI.
– Você é meu advogado, dá um jeito... – Diz ele sorrindo.
– Advogado e seu pai! Você é um moleque burro! Porque não pediu para mudar de escola caralho? Mudar de sala...  Por que você tinha que mexer na minha arma? Por quê? – Agora já não é só advogado. Agora o instinto de proteger sua cria falou mais alto. Agora é aquele momento em que ele talvez sentiu dó, pena, demonstrou seus sentimentos, sentimentos de pai...
– Eu vou pedir para mudar de escola pra quê? Pra mãe não me levar pra escola e, eu ter que pegar ônibus? – Filho único. Dezesseis anos e uma vida de muita loucura, os cambau, só se abre com sua mãe, parece, querer quebrar esse poder do seu pai, esse poder de conhecer, de encontrar uma brecha, uma fenda da lei. Isto sempre separou os dois.
– Mais você é um viado do caralho mesmo né! Que filha da puta... Eu vou te encher de porrada! – O tempo todo estava o advogado e pai, junto à porta, em sua frente uma mesa quadrada de madeira com cadeira junto a ela e ao outro lado da mesa seu filho, sentado na cadeira com suas mãos sobre a mesa. O pai está furioso e não se contendo, avançou por cima da mesa e segurando nos cabelos lisos e negros do jovem, puxo-o para baixo, fazendo com que a cara lisa do jovem batesse contra a mesa. O impulso, o movimento rápido e força na qual o rosto do jovem se choca contra a mesa, faz com que seu nariz comprido e fino, sangre. Seus lábios finos que antes se movimentava com leveza ao falar, depois da pancada, começam a tremer. Seus olhos castanhos que antes pequenos, agora grandes e vermelhos...
– Vai toma no cú, porra... Não vai dá merda não meu! Eu sou menor caralho, não vai dá merda não...– Após ouvir essas palavras que saem apressadas da boca tremula, o advogado se recompõe voltando ao seu lugar.
– Não vai dá nada? Já deu seu desgraçado! Você acha o quê? Mata a porra de um professor e acha que não vai dá merda? Viu o tanto de TV te espera lá fora? Você viu? Você tá fodido porra! – O jovem matou o professor no primeiro tempo de aula, o momento certo do relógio ainda é confuso. Alguns primeiros jornais do dia passaram a notícia, porém, a maioria das emissoras passou a transmitir ao vivo da escola e da delegacia. No início falavam em morte de um professor e vários alunos, agora já se sabe que só o professor morreu. O jovem teria dito: – O seu viado filha da puta, vou socar seu rabo de bala – e logo após dizer essa frase, descarregou o revolver 357 magnum do pai. Após atirar colocou o resolver na bolsa e teria saído da sala, sendo controlado por outras pessoas até a polícia chegar ao local. Ele em todo momento pareceu frio e quando viu que estava sendo filmado, sorriu.
– Fodido nada! Você é advogado vai dar um jeito, a gente compra esses putus aí! – O advogado, não sei por qual motivo estava com a cabeça baixa, mais quando ouviu: “ a gente compra esses putus aí” olhou para seu cliente e disse:
– Compra? Vou te dar uns tapas! – Só se aproximou, mas, não o fez – Nem pense nisto, nem fale isto caralho! Você me dá nos nervos!
– Ele era um homossexual que odiava nós homens porque nenhum de nós queria comer aquele viado. E ele odiava as mulheres porque não era uma, não era uma mulher bonita, sensual, não era mulher! Era um viado que ficava enchendo o saco na sala de aula, dava notas baixas pras meninas bonitas da sala... A Lorena mesmo, aquela gotosa que tracei em casa, lembra?
– Sei...
– Então... Deu nota baixa pra menina, fica falando merda pra ela porque ela é gostosa! E ele com aquela cara de viado, filho da puta tentava se esfregar como verme nos moleques! Ele veio pra cima de mim porque eu fui defender a Marcinha, aquele filho da puta colocou o dedo na minha cara e ficou me olhando com aquela cara de bixa, filha da puta! Matei mesmo e mataria de novo! – O jovem parou de tremer seus lábios, fala com ódio nos olhos, agora fala cuspindo, seu rosto em caretas se torna feio pronunciando as palavras.
– E você resolve isto atirando no viado... Que porra! – O advogado acaba de falar e bate com as duas mãos na mesa, agora fica nesta posição; curvado com as mãos na mesa, olhando nos olhos do jovem.
– É caralho! Atirei mesmo naquele putu! Filho de uma égua, viado do caralho! Queria passar a mão no meu pau e depois veio colocar no dedo na minha cara? Morreu! Morreu aquele filho da puta! – Ao falar isto ele volta seu corpo pra trás, encosta ele todo na cadeira e tenta ainda mais se afastar.
– É e agora? E agora pra eu tirar você daqui caralho? – As mãos saem da mesa, ele caminha até a porta, coloca a mão direita nela e abaixa sua cabeça olhando o chão.
– Sei lá pai... Você é advogado eu sou menor e temos dinheiro! – Diz olhando a sua volta, como se procurasse uma saída entre as paredes que o cerca.
– Filho da puta... Acha que é assim né? – Levando a mão direita ao trinco da porta ainda sem se volta pra trás.
– E não é caralho?! Agora fala pra esses porcos sanguinários não colocar a mão em mim e fala pra mãe que só mudo de escola se ela me levar, não vou pegar buzão!

Só que não...

Pare de citar Leminski e querer ser como Dostoiévski, você se acha muito Edgar Allan Poe para pensar como Kafka.

Preguiça

     Sabe quando após comer muito no almoço, somos dominados pelo sono: daqueles que nada mais importa quando se deita em uma rede ao vento, uma cama de lençóis frescos, até mesmo uma cadeira de área nos faz cochilar por alguns minutos... Hoje nosso herói está com essa malemolência. Nosso herói homem de corpo grande, forte, volumoso, corpo que precisa de muita energia, corpo que gasta muita energia, que sua por horas enquanto a boca soa com ronco exaltado se entregando ao sono gostoso no sofá da sala. E ali está ele deitado: hora acorda ouvindo e ver alguma coisa na TV, hora acorda para comer mais batatas fritas que está sobre sua barriga. Ás vezes acorda com o barulho que sua mãe faz na cozinha. Mas, ele sempre retornar ao sono, coloca as batatas fritas no chão em cima do tapete, se vira de lado e volta a cochilar, a roncar e peidar. Calor não sente: o ar-condicionado deixa tudo a sua volta fresco, leve, gostoso para dormir e assim são seus dias; dias em que come muito no almoço e dorme por horas...

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Imaginação Compartilhada

     De meus amigos, conversar com Vladimir é sempre uma aventura. Sua conversa é em parágrafos. Em pausas: a pausa é o termino do parágrafo que se reiniciará em breve, antes mesmo que eu ouse dizer ou até mesmo dizendo um “E” ou “É isto mesmo...” Ele reinicia. Talvez olhe e continue sem se importar que quase fosse interrompido. E me interrompe continuando assim por mais um ou dois parágrafos. É sempre uma aventura. Não preciso dizer muito. Sou convidado a participar da imaginação compartilhada. (...) Quando eu disse:
Contratarei uma empregada.
Mas, ela será gostosa?
     Porque é claro que você como mora sozinho e quer uma empregada, que ela seja gostosa; loira, morena, ruiva, mulata, mas, que seja gostosa!
    Daquelas com grandes peitos, bunda grande, pernas grossas, como as dançarinas de programas da TV, como as bailarinas da TV. Sim! Como as da TV...
     Que ela more em sua casa ou talvez, que chegue sempre antes do nascer do sol. Que o acorde, você gosta de ser acordado?
Ninguém gosta de...
É claro. Se ela ter de acordar você todos os dias que, faça isto de maneira educada...
     Sim! Talvez até carinhosa... Com massagem. Com massagem no seu peito. Massagem e uma voz suave, diferente da voz de sua mãe, como aquele: acorda moleque. Lembra-se disso? As mães nem sempre são carinhosas, bom...
     Se você estiver dormindo de lado, com massagem no braço. Que seja sempre com massagem. Uma massagem de manhã é sempre ótimo. Já pensou: massagem, suco e torradas... Ou prefere que ela apenas abra as cortinas?
     O sol que entrar pelo quarto... Apesar de que acordar com o sol invadindo o quarto é horrível. Melhor mesmo a massagem, suco e torradas... Há... Voz suave: Bom dia patrãozinho lindo, como dormiu? Quer uma massagem, em?
     E não pode esquecer de comprar aqueles uniformes, sabe? Olhando-me como se esperasse eu dizer algo, depois de uma pausa segue virando o rosto Aquele vestidinho curto... É, acho que você faz bem em contratar uma empregada. Uma empregada que faça tudo, se é que me entende...
Cara... Ela só será uma empregada! Não tenho mais sentimento por esta imaginação. Me despeço e vou embora! Ele enciste dizendo:
– Mas já? Fica mais, só tomamos uma cervejinha... – Digo que não dá, invento qualquer coisa e sei que da próxima vez quando me encontrar pelas ruas e bares terei de compartilhar da sua imaginação. Mas, ainda prefiro compartilhar de uma imaginação que está na TV ou na internet em sites de grandes visibilidades. Uma imaginação pior do que isto, tão pior que talvez eu nunca consiga entender. Mesmo depois de compartilhar o que absorvo dos programas de TV em conversa com amigos.

Cansa!

Cansei de cansar, agora quero descansar pra ficar cansado de descansar e começar a buscar um meio para me cansar!

Me sentindo muito sozinho

     Em um grande mercado no setor de almoxarifado, dois colegas de trabalho conversam:
– Cara... Estou apaixonado! – No primeiro minuto de trabalho com seu colega, Anderson, já tinha pensando em compartilhar seu estado de espírito, mas, por falta de oportunidade perante grande movimentação do trabalho, só agora, já quase na hora de saírem para o almoço eles conversam.
– HAHAHA... Por quem? – Diz o outro após uma gargalhada sadia. – Não é pela Renata né? (a caixa)
– Não! Eu conheci ela naquele meu trabalho de fins de semana...
– Como foi? Como ela é? – Diz o colega que trabalha e conversa ao mesmo tempo para não gerar problemas, enquanto Anderson, parece não se preocupar com isto e escora em uma das prateleiras.
– Ela sempre vai na lanchonete... Já faz dias que estou de olho nela, eu dei sorte que no sábado ela chegou com um amigo meu, ele mora no prédio da frente à kitnet que moro. Aproveitei para atender eles. Atendi normal: perguntei se ela estava bem, tal como sempre faço quando atendo ela, ela sempre me vê como um garçom é claro... E continuei ali por perto, fiquei puxando assunto com meu amigo, aproveitando é claro que eles estavam meio bêbados; ficavam falando pra mim tirar umas coisas da nota, coisa de amigo que quer aproveitar, falei que iria ver o que podia fazer e como ficaram enchendo o saco sai de perto e deixei eles comerem. Deu meu horário, eu saio as duas, fui saindo e ele perguntou pra onde eu ia, eu disse que iria pegar o buzão pra casa. Ele falou que me dava um carona, aí aceitei. Estava ele, sua namorada e ela...
– Entendo cara... Mais você pego ela?
– Sim! Sim! Tipo... Nem fomos pra casa! Saímos de lá e fomos ao posto, lá no 57 sabe?
– Sei sim! Sempre rola um som lá mesmo, o pessoal fica curtindo um som e tal...
– É! Então... Aí lá eu peguei ela... HAHAHA...  os dois sorriem – Na verdade ela me pegou!
– Como assim?
– É... Tipo, eu queria ir embora, estava cansado; já trabalho de segunda a sexta aqui e no fim de semana trabalho a noite, é foda!
– Sei... Mais como foi?
– Então... Eu lá quase dormindo encostado no carro, ela vem dançado toda louca e começa me beijar.– Seu colega ao ouvir, sorri como mona lisa; aquele meio sorriso e continua trabalhando, arruma prateleira, colocar mercadoria em outra. Anderson continua falando escorado na prateleira com sua vista pro tento, como se estivesse longe. – Foi demais!
– Só ficou nisto?
– É... A gente ficou se pegando por um tempo e depois a namorada do meu amigo quis ir embora, aí acabou tudo. Bom... Agora sei onde ela mora. É uma puta casa!
– Patricinha...
– É! Peguei o número dela. Liguei no domingo antes de entrar no trabalho, ela estava de ressaca, mas, conversou. Ficamos uns minutos conversando, mais sei lá... Ela parecia me responder por responder, não mostrou interesse, só respondia, nem perguntava nada, disse que faz faculdade de noite e depois disse vou desligar e desligou!
– Onde ela faz?
– Na mesma que você...
– Legal! Me mostra a foto dela no face aí, deixa eu ver se conheço ela... – Agora o colega de Anderson deixou de trabalhar e ficou na sua frente.
– Depois eu mostro... Agora fodeu cara!
– Por quê?
– Eu estou afim dela, quero continuar conversando com ela, mas, como vamos sair pra ficarmos? – Seu colega agora vê os olhos de Anderson ficarem vermelhos, parecem brilhar, ficam molhados e se ele piscasse, esfregasse com um dos dedos ou menos que isto, apenas abaixado à vista, talvez caísse dali alguma lágrima – Eu trabalho de segunda a sexta aqui e no fim de semana tenho que trabalhar na lanchonete. Aí não tem como a gente se ver, tipo... Sei lá se ela vai querer me ver também.
– Verdade cara... Por que não para de trabalhar no fim de semana?
– Seu eu parar como vou pagar minhas contas cara? Morar sozinho é foda!
– É! Mas me mostra a foto da gatinha aí...

segunda-feira, 25 de março de 2013

Terno escuro, gravata clara. Calça social e sapatos pretos, caminhando em dia quente sob o sol.

     – Que calor desgraçado! O sol queima minha cabeça... O mormaço que sobe aos céus da rua e da calçada. E essa minha dor de cabeça que lateja me deixando com mau humor dos diabos! Será que é a mistura do café com o sol? Ou será essa caminhada, essas pessoas que parecem não ter pressa, que andam como se tivessem olhando as lojas, os carros ou sei lá o quê... – Flávio se sente mal. Ele pensa conforme anda, anda pouco: menos de um passo por minuto. Ficou na ponta dos pés e olhou mais a frente e lá na frente ainda mais pessoas caminhando, subindo, algumas empurram forçando a passagem. Entre as que sobem, algumas descem... Ele volta se arrastar pela subida sob o sol com sua dor e raiva... – Essas duas mulheres que mais conversam do que andam... Essa subida, esse sol, essa dor de cabeça, essa conversa de mulheres medíocres em minha frente. Como odeio ter que caminhar, como odeio esse sol! – Caminhava pouco, porém, sob o sol já estava há muito. Almoçou e tomou café como sempre fez, agora retornando ao trabalho sua cabeça quer explodir. Nem todos os seus dias são assim: esse movimento todo da volta ao trabalho. Mas, hoje seu dia já tinha começado mal. Ele acordou mal, trabalhou pela manhã mal, seu almoço foi mau, ruim. O café que sempre fez companhia depois do almoço e essa mesma subida de sempre, hoje parece mal, ruim, horrível!
     – Será que ele não viu nossas alianças? – As duas mulheres na frente de Flávio conversam. Elas se sentiram incomodadas pela forma que o jovem descendo pela calçada passando por elas, olhou, ou melhor, secou as duas. O jovem de camiseta preta com estampa de estrela vermelha dentro de um circulo também vermelho, calça jeans, tênis e com cabelo negro curto, de corte militar, passou olhando mesmo, com vontade. Flávio enquanto caminhava também olhava para o corpo das suas mulheres. Em sua frente da esquerda para a direita, a mesma que acaba de fazer essa observação para sua amiga, está em calça jeans e camiseta, cabelo curto junto ao ombro de cor vermelha, bunda mediana, cintura fina, talvez seios medianos, uma oriental. A outra toda de social, como advogada: saia azul marinho pra cima dos joelhos, camisete também azul marinho e cabelo pouco negro mais pro castanho escuro, preso de uma forma estranha, com o coque pra cima, pelo tamanho do mesmo o cabelo deve ser comprido, daqueles que vai abaixo da cintura. Usa sapatos pretos de salto alto. Elas não me parecem preocupadas com a subida e com a demora em subir...
     – É claro que viu! Olha à grossura... – Responde para outra.
     – Você tem que fazer assim – Ela levou sua mão esquerda sobre a boca, como às vezes se faz ao bocejar...
     – É... Arrumar o cabelo... Porque talvez assim eles caiam na real. – E as duas passaram a rir. Flávio depois de ouvi-las entortou sua boca de lado e passando ao lado das duas continuo sua subida, agora forçado à mesma, empurrando, bravo e sem paciência. – Elas pensam que nós homens olhamos para aliança, qual nada... O que olhamos mesmo é o tamanho de suas bundas, de seus seios. Para homens como eu isto é que importa! Ás vezes até pegamos umas raimundas só para ter essas mesmas bundas e seios em uma noite.

Em algum lugar

Então disse: acredite em fatos sem teorias se houver, porém, não em teorias sem fatos.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Piscina

     Cansou. Desligou a T.V e caminhou, já na varanda parou. Deitou-se na beirada da piscina e ficou. Ali olhando o céu azul e as nuvens brancas, tornou-se parte do concreto, objeto com o braço direito boiando na água. O tempo passou. A T.V desligada fez com que os pássaros cantassem. Sua esposa notou. Notou aquele seu objeto na beira da piscina e se aproximou. Parou em pé e olhando perguntou:

–  Você esta bem?
     Os olhos abertos para o céu e as nuvens, viram para aquele corpo gigante em belas formas que, deitou-se ao seu lado. Ele nada falou, apenas rolou abraçado com ela pra água. Depois do mergulho e o grito dela; o beijo. O beijo que faltava no dia inteiro. O beijo que antes objeto, agora amor. Amor como há dias não faziam, amor como há dias não sentiam... 

Ferrari

     Simões dirigia pela Avenida Brasil quando encosta seu carro e desce para contemplar seu sonho: – Nossa... Spider 458. O motor é V8 de 90 graus, com 4499 CC. A potência máxima é de 570 CV e a aceleração de 0 a 100 km/h é de 3 segundos, sendo a velocidade máxima de 320 km/h. O câmbio é automatizado, de dupla embreagem e sete marchas. O ronco do motor é exaltado e o chassi retrabalhado. Meu sonho aqui na minha frente. Um sonho de R$ 1.950.000. – Simões pensa passando a mão pelas curvas da Ferrari, dentro da mesma no passageiro uma morena de vestido vermelho combinando com a cor da Ferrari, mas, isto não agrada Simões. Pra ele o carro com essa morena ficou feio na verdade, perdeu toda a potência, o esplendor. Ele é mais uma loira com o cabelo solto em um vestido amarelo e batom vermelho. Assim... Uma quase senhora Geisel. – A senhora Geisel sim é adequada para sentar ao meu lado no banco do passageiro! Falo senhora Geisel porque foi assim que a conheci...– A história de Simões e senhora Geisel é interessante e depois da senhora Geisel, só senhora Geisel é mulher de verdade. Tudo começou quando o pai de Simões comprou um sítio (o motivo pelo qual o pai comprou, contarei mais tarde no decorrer de minha narrativa) e numa das viagens Simões conheceu a vizinha do sítio ao lado, senhora Geisel, era e é assim conhecida por todos ali da redondeza. Ela alemã gorda, de corpo forte, de braços gordos e redondos como suas pernas, seu rosto e pescoço que se dobram em duas ou até três camadas de pele e gordura. Quando foi apresentado pra ela, ele estava na casa dos dezessete anos e ela com mais de vinte e cinco. No dia ela estava no curral e derrubou uma vaca pegando a mesma pelos chifres. (Eu leitor, acredito em amor à primeira vista e com certeza foi amor à primeira vista!) E lá estava ela com aquelas botas de borracha, calça e camisa sujas de fezes e lama. Ela olhou pra ele passando a mão suja de lama no rosto, ele correu até ela, tirou sua camiseta e passou no rosto dela. Ela sorriu com isto e seu marido senhor Geisel que estava por perto o empurrou, fazendo com que ele caísse de bunda dentro do cocho dos animais beberem água. Depois disso ele ficou de castigo e enquanto chorava de ódio ou amor reprimido seu pai falava muito, coisas como: – deixa de se moleque rapaz e se o Geisel mata você? Esse povo de sítio, tudo é louco! Depois disso ele volto pra cidade, passou três semanas sem ir ao sitio até que na quarta semana foram todos, sua família. E lá andando pela mata na direção do sítio do vizinho viu entre as árvores a senhora Geisel que com um motosserra nas mãos cortava lenha. Ele foi se aproximando lentamente para ver se o senhor Geisel não estaria ali por perto, cuidando de sua amada. Entre uma arvore e outra foi se aproximando cada vez mais e mais quando se deu por si ela estava olhando pra ele. No início ficaram assim um olhando pro outro sem dizer nada, ela sorriu e ficou ainda mais bonita. Mas continuo seu trabalho, cortou talvez mais três ou cinco lascas de pau e ele lá olhando pra ela. Quando acabou seu serviço desligou a motosserra e foi na direção de Simões. – O moleque vai ficar aí olhando pra eu é? – Ele sorriu. Vai saber por qual motivo, talvez o sotaque diferente do seu, carioca.
– Desculpa! Fiquei observando como à senhora trabalha bem com esse motosserra. Acho até perigoso demais pra senhora, quem deveria fazer é seu marido, ele não está?
– Geisel?! Geisel foi pra cidade e quem faz sempre esse serviço sou eu mesma...
– Entendo. A senhora é muito bonita, não deveria machucar essas mãos que me parecem macías.
– Você é moleque mais fala bonito. Gostei do cê sabia? Entra em casa que eu vou fazer um café e enquanto faço vamo conversar mais, assim eu conheço melhor o cê.
– Tudo bem – Seria o dia de sorte de Simões, pensava ele. Então entraram e enquanto ela fazia o café, colocou duas variedades de bolo na mesa. A conversa do jovem Simões foi sobre como sua cidade é linda, sobre as praias, os pontos aonde todos vão quando visitam sua cidade. Ela ficou com seus olhos azuis brilhando ouvindo a conversa do Jovem. Só sabia falar que o moço conversa bem, é educado, estudado e bonito. Simões era todo de cantadas, uma em cima da outra pra senhora Geisel. Ela sorria tímida e dizia: – o Senhor fala bonito. (A melhor cantada leitor, faço questão de compartilhar! Foi sua última e matadora.) Depois que terminou o café e comeu bolo, ele se levantou e ficou de frente com ela. Passou a mão no cabelo dela, tirando uma parte da franja sobre o olho e disse: – Você faz um bolo maravilhoso. Ele é macio, cheiroso e muito saboroso, como à senhora deve ser quando faz amor... – Ela ficou olhando pra ele sem entender essa comparação, talvez até hoje pense nestas palavras e ainda busca entende-las ou talvez nunca tenha pensado, nem mesmo no dia em que ouviu, mas, o certo é que depois de falar essas palavras ele a beijou! E ali mesmo na cozinha foi sua primeira vez, onde ficou entre aquela pele dura e gorda, na qual se esforçava para permanecer em cima dela. Ela respirava ofegante enquanto ele olhava seu rosto suado. E depois disso ir para o sítio tinha outro significado, na verdade, mulher passou ter outro significado, outra forma de ser vista e sentida. Simões é homem e como o sítio era uma vez ou outra no mês, no ano, ele passou a buscar mulheres pelo Rio como sua amada da primeira vez e nunca, nunca saio com outra mulher que não fosse parecida com ela, que não tivesse um corpo igual da senhora Geisel... E foi por isto que não gostou de ver uma morena dentro do carro de seu sonho. Agora já até parou de passar a mão, já volto pra seu carro e batendo com a cabeça no volante ele pensa: – Ah! Se eu não tivesse perdido todo aquele dinheiro, se eu não tivesse sido mandado embora pelo meu pai. Eu iria colocar uma senhora Geisel pra rodar comigo com seu cabelo solto ao vento e iria rodar e rodar só parando pra eu ficar olhando ela comer, comer uma pizza, duas pizzas, três pizzas todas sozinha como, Soraia; pedir duas porções, comer uma sozinha e ainda metade da minha, e ainda eu iria ver em seus olhos que deseja mais, como Rafaela; comer cinco batatas recheadas e depois sorrir com os lábios vermelhos de ketchup e depois... E depois, iriamos fazer amor! Ver aquele corpo enorme de prazer, mas, e o agora? Agora estou aqui nesse carro popular indo atrás do meu irmão... (Simões fez uma, vou colocar assim para o leitor: CAGADA FEIA! Que coisa nosso herói fez? Só acabou com um presente de milhões! Sim, de milhões!) Simões depois que se formou assumiu a primeira empresa de seu pai, a que fez toda sua família ficar rica e depois de dois anos a frente da empresa acabou com tudo!
     Na manhã do mesmo dia na empresa de seu pai que no elevador conversa com o mesmo:
– Como pode ser tão burro! Você não é filho meu não! Não pode, não pode ser!
– Mais pai... Estava tudo certo! Iria dar certo...
– Nada, não tem nada certo! Nada deu certo! Se você tivesse falado comigo antes eu não tinha deixado você fazer essa burrada, que coisa, como você consegue falir minha empresa?
– Pai entende... Eu dupliquei o valor dela de mercado no primeiro ano, agora iria duplicar de novo! Ela iria quadruplicar em dois anos!
– Que quadruplicar o quê... Olha o que você fez. Bom... Essa empresa era um presente meu pra você e agora você conseguiu acabar com ela, agora não quero nem saber de você em casa, está ouvindo? Não quero! Você vai morar em outro lugar, se vira... Como pode ser tão burro?!
– Mais pai... Eu não tenho pra onde ir, eu sei que fiz uma besteira, mas, os números, os números estavam ao meu favor...
– Como? Se você tivesse me falado não tinha deixado você fazer isto, mas fez e, agora não quero saber de você. Pega suas coisas e saia de casa, se você fosse como seu irmão, mas não... Agora se vira, se vira!
     Quando deixou a empresa do pai Simões só tinha seu irmão para recorrer. Entrou em seu carro e rumou ao sítio onde ele mora. Na Avenida Brasil passou pelo seu sonho, agora já dirigindo pensa: – Meu irmão... Ah! O meu irmão... Ele sempre foi o queridinho de meu pai mesmo, sempre foi! Lembro-me de quando eu tinha de sete pra oito anos e ele com seus animais. Em um ano ganhou mais animais que um zoológico todo! Primeiro um cachorro, depois um gato, depois um coelho, hamster, tartaruga e até uma cobra! Certa vez entrei no quarto e ele esta na cama ao lado (O leitor percebe que eles dividiam o mesmo quarto, naquele tempo o pai estava começando com sua primeira empresa, essa mesma que nosso herói acabou de falir) olhando pro teto com o cobertor até o peito e os braços cruzados no peito, imóvel, olhando pro teto sem nenhuma expressão em seu rosto e quando eu puxo meu cobertor, um bote, um bote e quase que ela pega meu braço. Gritei e sai correndo e ele ria, ria e ria... Meu pai chegou e olhou para minha cama e para ele que ria e disse: – Pega essa cobra com as mãos e leva lá pra fora, vou arrumar uma caixa, alguma coisa pra colocar ela. Se você faze isto não deixo você de castigo! – E ele fez! Pegou com uma mão perto da cabeça e com a outra no rabo e saio com ela do quarto sorrindo enquanto eu estava abraçado com minha mãe ainda chorando. Meu pai passou por mim e disse: – Seu marica! – Depois de alguns anos meu pai foi ficando rico, comprou um sítio e passávamos muita parte do nosso tempo por lá. Não era grande, mas, me divertia muito pelos córregos, andando pela mata como caçador. Meu irmão depois disso ganhou mais animais. Eu pensava, ele vai ser veterinário, só pode... Mas que nada... Ele é engenheiro florestal.
     Depois de horas viajando e pensando ele chega ao sítio e encontra seu irmão deitado de barriga pra baixo e com o lado direito do rosto junto ao chão fresco. Seu irmão está deitado no início de uma grande área de terra vermelha e parece querer ouvir algo dela.
– O que faz aí deitado?– Pergunta Simões.
– Tenho uma pergunta pra você...
– Se for sobre o que aconteceu com a empresa, eu já estou cansado disso!
– Não! Você já comeu hambúrguer de banana?
– Como?
– Hambúrguer de banana, você já comeu?
– Não... Acho que nem existe hambúrguer de banana.
– Pois então! É de carneeeee. Carneee que precisamos! Esses viadinhos frescos que se danem! Temos que criar boi! Temos que comer carne e por isto que estou aqui, vou plantar capim, e colocar mais gado! Esses viadinhos que se fodam todos! Eu? Eu vou comer carne!
– Tá. Tudo bem... Em... Vou passar uns dias com você aqui no sítio!
– O pai sabe disso?
– E nem precisa saber! Vou ajudar você por uns tempos aqui...
– Você? Me ajudar? Tá bom... Você é como esses viadinhos frescos que tem por aí... Só comem ração!
– Esquece isto...
– Você não vai aguenta um mês aqui! Sem academia, suas bombas... Porque isso aí é tudo bomba! – Fala seu irmão agora já em pé com a cara e as roupas sujas de terra vermelha. Ele sempre tirou onda do irmão por fazer academia e ser todo bombado...
– Esquece... Aqui mudou muito desde que você veio pra cá... Tem quase tudo aqui
– O que tem aqui é pra uso do trabalho e já que está aqui e vai me ajudar, vamos deixa de falar, tira esse terninho que mamãe deu pra você e vem me ajudar.
     O primeiro dia como ajudante e morador do sítio foi difícil. Às quinze horas, Simões já estava todo em suor. E chegando a noite dormiu cedo e como bebê, nem viu. Já pelas cinco da manhã seu irmão o acorda com chacoalhão e socos. Simões acorda meio atordoado. Seu irmão já passa os serviços para serem feitos no dia, seu primeiro, era ir tirar leite de três vacas. Enquanto o irmão de Simões estava aguando suas plantas, que eram muitas, ele foi ao curral dominar as vacas e tirar seus litros de leite. Ao chegar ao curral com a manhã ainda escura, Geisel estava saindo com dois baldes de leite, um em cada mão. Ao se cruzarem na estrada, o encontro soou como um susto. Mas, param um de frente ao outro e conversaram normalmente, como dois moradores que se cruzam em uma estrada qualquer. O Assunto foi coisas como: Como estão as coisas? Quanto tempo! E como está sua família? E a sua? Estou tirando leite aqui, meu curral quebrou e estou consertando... E blá blá blá... Na conversar Simões soube sobre o senhor Geisel que sofreu um acidente, algum tempo atrás ele caiu do cavalo e machucou profundamente sua coluna, coisa de o faze ficar de cama, quase imóvel. Simões tem bom coração, mas, essa notícia foi uma ótima em semana de erros passados. Ele pediu ajuda da senhora Geisel, disse que já fazia anos que não pegava nas tetas das vacas, talvez até fosse machucá-los ao tirar leite. Ela é claro, o ajudou e enquanto ela tirava o leite pra ele, ele sentou na porteira do curral e ficou olhando seu primeiro amor, agora ainda mais gorda e mais forte. Eles trocam olhares e sorrisos...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Embriagado

Vou colocar minha realidade dentro dos copos com cerveja e ir bebendo até enjoar, vomitar, ficando embebedado!