segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Você

São tantas nuvens nesse céu azul. Coisas que passam pela minha mente como: desenhos de você no grande pano de fundo azul...

sábado, 10 de dezembro de 2011

Pedro e Amélia

     O bolsista que passa a estudar na melhor escola particular de sua cidade, chega ao final de um ano letivo carregado de apelidos e exclusões por seus colegas de sala. Agora sabe que no próximo ano estará em sua antiga escola com seus professores e amigos. Nem sempre o que consideramos como algo bom que acontece, pode seguir por esta mesma linha.
     No início, ganhar uma bolsa em uma escola particular, com os considerados melhores professores, pode parecer uma maravilha para qualquer garoto pobre, que só tem suas boas notas como esperança. No primeiro dia de aula, percebeu que não seria fácil. Sem conhecer ninguém e sem ser considerado amigo de alguém, foi assim que Pedro entrou para um ano cheio de aflições e emoções. Agora que irá voltar para o colégio antigo, pensa em tudo que passou e o que ainda está acontecendo com ele. Pensando, de sua carteira na quinta e última fileira, junto à parede, olha para o lugar vazio onde sentava Amélia. Amélia moça considerada entre todas à mais bonita e inteligente. De longe nada parecida com as outras meninas da sala, na verdade, nada parecida com aluno algum desta escola. Amélia se aproximou de Pedro, em alguns passeios pelo museu e pelo zoológico. Em passeio de barco onde estavam aprendendo sobre biologia marinha, conheceu melhor o menino calado e inteligente da sala. Pedro não completou o passeio, não aguentou os balanços do barco e deixou a viagem como o menino que nunca havia pisado em um barco. Ele ficou contemplando do cais Amélia que do barco se despedia de Pedro. Quando Amélia voltou, Pedro estava com a inspetora Joaquina esperando para retornar à sala. Enquanto os colegas de classe estavam rindo de Pedro, Amélia foi abraçá-lo. O abraço foi longo como as conversas e o tempo que passaram juntos durante aquela semana. A inspetora Joaquina, uma Portuguesa gorda e com bigode maior que do Professor Costa e Silva, não perdia nada que acontecia pelos corredores, fazia questão de levar para diretoria qualquer gesto, palavra, brincadeira, enfim... Passando tudo o que via e ouvia para a diretora e, se à diretora não resolvesse, tinha total liberdade de conversar com os pais de qualquer aluno, mesmo que esses só soubessem desta liberdade depois de ouvi-la. Observando a intensidade que os dois ficavam juntos, na hora do intervalo, na sala de aula, no trabalho em grupo, Amélia e Pedro sempre unidos. Senhora Joaquina conversou com pai de Amélia quando ele veio buscá-la. No dia seguinte Amélia não foi para escola. Sua amiga Isabel veio sentar com Pedro para fazer um trabalho. Antes nunca se dirigiu a Pedro. Mas, para servir de correio de sua amiga Amélia sentou ao lado de Pedro. Entre atividades, entregou para Pedro uma carta de Amélia, onde ela contava que só faltara à escola por ordens de seu pai. O pai de Amélia um tenente linha dura em tempos militares. Ele não gostou de ficar sabendo sobre esta amizade de Pedro com Amélia. Ela alertava sobre Joaquina, que recebera ordens de seu pai para vigiar Pedro. O pai dela queria Pedro fora da escola, compareceu na escola e tentou convencer que sua influência atingia à moral da escola. Na semana seguinte Amélia ficou alguns dias sem ir à escola e, quando voltou foi para outra sala, mudança exigida pelo Pai de Amélia, que não conseguiu fazer com que Pedro fosse expulso da escola. Pedro só contava com Isabel, que agora fazia seu papel de ajudar os dois passando cartas de um para o outro. Pedro conseguiu elaborar um modo de ficar junto de Amélia, com ajuda de Isabel que vigiava um dos corredores de livros da biblioteca, enquanto Pedro e Amélia ficavam juntos na seção de romances. Todos os dias no intervalo Pedro e Amélia ficavam por alguns minutos juntos. Quando a megera Joaquina passava pela biblioteca, Isabel avisava e saia com Amélia de companhia portando algum livro. Pedro tinha de esperar Joaquina ir tocar o sino encerrando o intervalo para sair correndo por uma das portas da biblioteca. Nas últimas semanas, Amélia deixou de ir à escola. O ano escolar estava chegando ao fim. A diretoria da escola chamou os pais de Pedro para informar que a escola estava fazendo cortes nas bolsas de estudo e que um dos cortes seria de Pedro. Pedro mesmo com suas melhores notas, estava sem sua bolsa. Isabel, que passava as cartas de Pedro e repassava as de Amélia, entregou uma nova carta para Pedro ler, nela Amélia avisa que não voltaria mais naquele ano para escola. Não faz sentido ter sentido tudo isto agora, pensava Pedro. Então, enviou uma carta para Amélia dizendo que precisava vê-la nem que fosse pela última vez. Amélia respondeu com uma certeza que não desistirá de ficar entre os braços de Pedro. Amélia, Isabel e Pedro começaram procurar um modo de fazer isto acontecer. Na escola onde antes Pedro e Amélia se encontravam na biblioteca, estava fora de opção. Invadir à casa de Amélia seria um risco com à segurança das grades que aprisionam sua liberdade. Em casa de Isabel é a mesma coisa, grades e muros. Isabel foi buscar pela programação do cinema daquela semana de final de ano. Havia mais filmes sobre Cristo e Natal que pensou em desistir. Mas, estava em cartaz o filme "A Noite dos Mortos-Vivos" por ser uma sexta feira treze. Então combinaram entre eles e, no dia 13 de dezembro de 1968, com o pai de Amélia ocupado com o Ato Institucional AI-5, era perfeito para as meninas conseguirem sair sem os pais. O motorista levou as meninas ao cinema e, enquanto Isabel mordia as mãos e levava sustos, Amélia e Pedro se beijavam.


FIM!

domingo, 27 de novembro de 2011

Pequeno John

      Oi John! Que pena que não pode me ouvir... Há quanto tempo estou com você John? Seis meses? Doze meses? ...Infernais! Eles foram todos infernais pra você. Você deixa passar tanta tristeza e medo, que fico com pena de você. No início, não notei medo em você. Mas agora, eu só vejo medo no espelho, essas palavras que sai pela sua boca quando começa a chorar no travesseiro, é desespero John?! Você está se matando sem precisar da minha ajuda. Eu até quero ficar quietinho aqui, observando você, sendo uma doença que vai corroendo aos poucos. Agora você coloca um exército contra eu, sabendo que não irá vencer. Você se retorce, tenta me tirar pela boca, pela bunda, mas, só sai partes do que sou. Eu não quero ver você triste assim. Volte ao que você era John. Por que deixou família e namorada? Quando vocês estavam juntos, tudo que eu sentia era uma força terrível, essa força que queria me arrancar de você, eu lutava contra, sempre venci as batalhas, mas, ela sabia que poderia me vencer com o exercito do bem. Então me senti igual você, com medo. Ela se foi... Ela deixou você John! E a culpa é sua, você com seu medo deixou sua força ir. Ela poderia ter me mandado embora John. Mas, parece que você me quer em partes separadas de seu corpo. Quando eu passeio pelo seu corpo, eu vejo meus amigos sorrindo. Alguns eu nem conhecia, eles se multiplicam, eles cantam de felicidade por saber que você está desesperado. John, eles vão acabar com você. Essa é a missão desses kamikazes. Eles morrem e leva você junto. Não é horrível tudo isto John? Não é horrível saber que você irá sem felicidade, sem alegria de viver?! E o que faz, fica colocando uma arma na boca. Que horrível John! Você quer ir sem que nós façamos isso para você... Mas, você ainda tem tempo, não é John? Quando tempo lhe deram? Eu juro que não sei, você e esse exército do bem, eu não sei quanto tempo você tem, mas, estou reagindo, estamos todos felizes aqui. E você John, não é o John que conheci. (...) Ei John, você já ouviu o som que eu faço quando estou feliz? Não?! Você não pode me ouvir... Seria bom John, se você pudesse me ouvir. Poderia trazer aquela sua força de volta, junto com sua família e namorada. Se você os trouxesse, até poderia ganha essa guerra. Mas, você os afasta, então morrerá sozinho e triste, morra John! Pelo suicídio ou por minha presença. Morra John! Morra...