terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Ela não estava sozinha

     Desperto-me do sono e permaneço deitado buscando pelas horas no despertador ao lado cama... 6:40 da manhã. Viro para o outro lado e fecho os olhos para tentar voltar ao sonho... Em algum lugar da rua ouço os gritos de uma mulher que diz: – Você é corno... seu desgraçado... e outras palavras que me fogem a memória... – Em seguida ouço a voz masculina que talvez responda para mulher: – Você não veio pegar seu dinheiro?! Então agora vaza... Some daqui... – Gritos de você é corno continua em conjunto com outros palavrações... Ouço o barulho de um portão de lata batendo forte e os gritos se encerram. Os pássaros contam como em todas as manhã e o som deles adentra pela janela aberta do meu quarto... O vento frio da manhã movimentam as cortinas da janela. Coberto com meu lençol busco voltar dormir... Acordei após um sonho: – Certa vez li que quando se joga Video Games você consegue controlar seus sonhos, seria mais fácil para quem joga na verdade e que qualquer pessoa poderia facilmente controlar seus sonhos com um pouco de treino... Controlar um sonho as vezes pode ser difícil no início e dependendo do sonho, no final você sempre acorda...  Talvez eu já até tenha falado sobre isto, acho que sempre acabo por repetir pensamentos antes de dormir, como se fosse uma conversa com o sono para ele me fazer dormir; de barriga pra baixo, braços esticados e o rosto virado... Um barulho seco ecoa pela janela: – PUM... após alguns segundos o barulho retorna: – PUM... após uma pausa maior: – PUM... Ignoro o som e busco voltar dormir.
     Após um tempo acordo e agora não foi após o controle bem sucedido de um sonho... As sirenes me acordam ao gritar pela janela... Motivado pela vontade de continuar dormindo, levanto para fechá-la... Uma pena porque gosto de manter minha janela aberta... O barulho continua na rua lá em baixo... Pela janela penas sons, não vejo os veículos. Acabo por aceitar que não volto a dormir mais... não conseguiria... não agora. Mais tarde naquela manhã de Janeiro aguando minhas plantas e tomando meu café, reencontro minha vizinha... reencontro porque temos o hábito de aguar nossas plantas e sorrir um ao outro quase sempre no mesmo horário... Como sempre hoje ela sorriu-me, mas contou-me uma triste notícia: – Uma outra vizinha que saía para trabalhar viu tudo, ele batendo com a cabeça dela na parede... Dizem que ele pegou algumas coisas e sumiu... Foi ela quem chamou polícia e ambulância...

Câimbra

Exercício da lei solta os quatro cantos para melhor circulação depois de um longo período em mesma posição.  

domingo, 31 de julho de 2016

Significação

Só para passar em branco e esquecer.
Só para ter que voltar página para ler.
Só para interromper, escrever.
Só para passar lendo e entender.
Só para ter que continuar para aprender.
Só para decorar de tanto, reler.

Permanecer

No meio do todo o vazio e no tudo o universo.

terça-feira, 31 de maio de 2016

O duplo bêbado

     Nos melhores momentos da minha vida: eu estava bêbado. Eu deveria ter feito muitas outras coisas enquanto bêbado, sem dúvida! Quando as coisas do dia a dia que faço por não estar bêbado dão errado, é obvio que foi por eu não estar bêbado... E é claro que só estou criando esta reflexão reveladora por estar completamente bêbado, se não estivesse, na certa estaria vivendo completamente normal, mas fazendo merda. Existem dois eu: o melhor; este agora que sabe o que diz, que sabe lidar com as situações e aquele outro; o que vai para o trabalho de funcionário de baixo escalão, o guarda da geladeira, o guarda da escada, o guarda de nenhum lugar especial... Se eu fosse ao trabalho, eu dormiria o expediente todo... O outro é tão tolo que conta quantas pessoas passou por ele sem entrar pela porta que ele protege e guarda, quando passam pela porta ele memoriza os nomes de todos e depois anota em sua agenda todos os nomes... É ridículo! Eu queria era não ter que lembrar essas coisas; de saber o quanto imbecil meu outro é... Por isto, quando estou bêbado e me vêm essas memórias; necessito de mais bebidas. O outro acorda sem se lembrar da bebedeira e fica só com a ressaca e eu com meu álcool, seria justo não trazer os fatos sobre ele e o que mais me irrita; o fato que estamos vivendo assim há alguns meses. E mesmo de ressaca seguidas ele insiste em continuar indo ao trabalho, ficar em pé o tempo todo sorrindo quando sua cabeça quer explodir... Eu queria que minha cabeça explodisse agora de tanto rir da idiotice dele que fingi ser importante. Já vivemos tanto tempo sendo um só: o idiota. Porque ele ainda se prende nisto e não deixa eu viver o restante dos dias? O problema é que ele não tem as doces recordações do quanto é maravilhoso, especial viver em um estado de espirito superior, que nos traz revelações sobre o mundo em que vivemos e o mais importante; de como vivemos. O que me falta é controle, eu não existo quando ele está lá concentrando em não deixar ninguém entrar sem apresentar o cartão; seja de funcionário ou de visitante. Exato! Eu sou a parte inteligente, eu quem percebe o quanto ridículo é aquilo e por isto vou colocar Whisky Irlandês naquela sua garrafinha tosca de café... Tenho que continuar bebendo até pouco antes de irmos ao trabalho, pois eu sempre volto com tempo para dormir e é quando eu deixo o outro vir. Se eu me segurar hoje bebendo até o momento de fazer o café, o plano da certo e no banho deixo o outro vir para que pareça tudo normal e quando ele sorri posicionado em seu lugar após tomar sua primeira xícara de café, eu voltarei.